MP pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem de dinheiro

Promotoria aponta desvio de mais de 12 toneladas de produtos químicos para a produção de cocaína e crack.

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Renato Cariani, de camiseta esportiva cinza, fala diante de um fundo preto com uma das mãos apoiada sobre o peito.
Ministério Público de São Paulo pede condenação de Renato Cariani por tráfico de insumos químicos e lavagem de dinheiro. Foto: Reprodução/YouTube.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a condenação do influenciador fitness e empresário Renato Cariani por tráfico de insumos químicos destinados à fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. O pedido foi apresentado nas alegações finais de uma ação penal em andamento. Cariani responde ao processo em liberdade e ainda não foi julgado.

Segundo a acusação, um esquema ligado à Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual Cariani é sócio, teria desviado mais de 12 toneladas de substâncias químicas para a produção e adulteração de cocaína e crack. As operações seriam encobertas por notas fiscais fraudulentas, que simulavam vendas e escondiam o verdadeiro destino dos produtos.

Investigação aponta 59 operações suspeitas e R$ 2,4 milhões movimentados

Os investigadores identificaram ao menos 59 operações suspeitas de venda de produtos químicos registradas em nome de grandes empresas, entre elas a farmacêutica AstraZeneca. De acordo com o Ministério Público, as notas fiscais eram utilizadas para dar aparência de regularidade às transações.

A apuração também encontrou movimentações financeiras consideradas suspeitas. Conforme os autos, intermediários depositavam dinheiro nas contas da Anidrol para ocultar a origem dos recursos. O esquema teria movimentado aproximadamente R$ 2,4 milhões.

Além de Cariani, a Promotoria pediu a condenação dos empresários Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, apontados como participantes das irregularidades investigadas.

Caso começou com operação da Polícia Federal em 2023

O caso ganhou repercussão nacional em dezembro de 2023, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg para investigar o suposto desvio de produtos químicos e fraudes em registros comerciais. A investigação resultou na denúncia que levou Cariani e outros envolvidos à condição de réus.

O influenciador nega participação no esquema. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que ele e sua sócia foram vítimas de uma quadrilha, que teria utilizado a empresa sem o conhecimento deles.

O advogado Aldo Romani Netto afirmou que a defesa recebeu o pedido de condenação sem surpresa e mantém a confiança na análise das provas pelo Judiciário. Os advogados esperam a absolvição de Cariani e ainda poderão apresentar suas alegações finais antes da decisão judicial.

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