OnilX nega irregularidades e diz que Paulo Guedes foi ouvido como testemunha

Empresa afirma que o ex-ministro atuava apenas como consultor, enquanto investidores relatam dificuldades para sacar dinheiro.

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Paulo Guedes, de terno escuro, gravata e óculos, fala ao microfone enquanto gesticula com as duas mãos.
OnilX afirma que Paulo Guedes atuava como consultor e foi ouvido como testemunha. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.

A plataforma de investimentos OnilX afirmou nesta quinta-feira (29) que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes prestou esclarecimentos às autoridades como testemunha, e não como investigado. A declaração foi divulgada após a repercussão de um inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a empresa.

Segundo a OnilX, a atuação de Guedes ficou restrita à consultoria sobre macroeconomia, geopolítica e conjuntura econômica brasileira e internacional. Informações divulgadas sobre o caso, porém, relatam que ele participou de reuniões estratégicas, manteve contato com potenciais investidores e teve sua imagem utilizada na divulgação da plataforma.

O inquérito foi aberto em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, com participação do Ministério Público Federal (MPF). As informações que motivaram a resposta da companhia apontam Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, como investigados. A empresa contesta essa condição atribuída ao ex-ministro.

Investidores cobram dinheiro aplicado na OnilX

A plataforma atua no mercado de ativos digitais, incluindo criptomoedas e stablecoins, e oferecia investimentos com promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. A empresa enfrenta ações judiciais movidas por clientes que afirmam ter dificuldades para recuperar os valores investidos.

Em um dos processos, um casal cobra R$ 876,5 mil. Os autores afirmam que decidiram manter e aumentar os investimentos depois de uma suposta reunião com Guedes, em abril. Quatro meses depois, segundo a ação, tentaram resgatar o dinheiro, mas não conseguiram.

CVM restringiu ofertas de valores mobiliários do grupo

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou, em janeiro, a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, manteve a restrição, mas esclareceu, em comunicado oficial, que ela não alcança atividades regulares de intermediação de criptoativos que não sejam considerados valores mobiliários.

Na nota desta quinta-feira, a OnilX reafirmou que atua dentro da legalidade, disse colaborar com as autoridades desde o início das investigações e assegurou que continua cumprindo seus compromissos de pagamento aos clientes.

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