A Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno uma mensagem em que seu filho, o cantor Oruam, transmite uma suposta ordem de Marcinho VP, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV). “Meu pai mandou fechar a política”, escreveu o artista após visitar o pai, em março de 2025, no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Para a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a mensagem é um indício de que Marcinho VP, preso desde 1996, ainda teria influência sobre atividades políticas em territórios controlados pela facção. O relatório policial, porém, não esclarece o significado da ordem nem identifica políticos, partidos ou campanhas que poderiam ser afetados.
Conversas indicam disputa entre Oruam e o irmão por influência do pai
O telefone foi apreendido em abril de 2026, durante uma operação que investigava a movimentação financeira do Comando Vermelho. Nas mensagens analisadas, Márcia relata que Lucas Nepomuceno, outro filho de Marcinho VP, estaria aproveitando a influência do pai para atender aos próprios interesses.
Oruam, cujo nome é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, questiona como poderia fazer o mesmo, afirmando que o irmão teria concentrado os benefícios para si. A DRE interpreta o diálogo como sinal de uma disputa entre os dois pelo acesso aos recursos e à influência do pai dentro da organização criminosa.
Mensagens citam dinheiro da facção e pedidos de até R$ 28 mil
A investigação também identificou conversas sobre o recebimento de dinheiro atribuído a Marcinho VP. Em uma delas, Oruam afirma ter ido a um ponto controlado por traficantes no Complexo do Alemão para buscar valores da chamada “caixinha” do pai, expressão usada para recursos movimentados pela organização.
Os investigadores apontam ainda contatos de Oruam e Lucas com integrantes do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha.
Em outra troca de mensagens, Márcia pede R$ 10 mil a Doca para pagar uma fatura de cartão de crédito. Há também uma solicitação de R$ 28 mil encaminhada por intermédio de Luiz Paulo Silva de Souza, o Magrão, a Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D. Desse valor, R$ 8 mil seriam destinados a um chá de bebê e R$ 20 mil à compra de móveis. A orientação era descontar a quantia de Marcinho VP, chamado de “Nego” nas conversas.
Na avaliação da DRE, os diálogos reforçam a suspeita de que Marcinho VP continua participando de decisões e movimentações financeiras ligadas ao Comando Vermelho, mesmo cumprindo pena em um presídio federal. As mensagens integram a investigação sobre a atuação da facção e de pessoas próximas ao traficante.
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