A albatroz Wisdom, considerada a ave selvagem mais velha conhecida, encontrou um novo parceiro e voltou a se reproduzir quando pesquisadores já duvidavam que isso fosse possível. O filhote nasceu em janeiro de 2025, depois que a ave passou anos sem ser vista ao lado de seu antigo companheiro. Hoje, Wisdom tem cerca de 75 anos, quase o dobro da expectativa de vida de sua espécie.
Os albatrozes-de-laysan costumam viver aproximadamente 40 anos e são conhecidos por formar casais duradouros, muitas vezes com o mesmo parceiro por toda a vida. As fêmeas geralmente botam apenas um ovo por ano. Wisdom, porém, viveu tanto que precisou encontrar novos companheiros para continuar se reproduzindo.
Wisdom já percorreu o equivalente a 120 voltas ao redor da Terra
A história da ave é acompanhada desde 1956, quando cientistas norte-americanos a identificaram nas ilhas Midway, no norte do Oceano Pacífico. Na época, ela tinha pelo menos cinco anos. Desde então, recebeu diferentes anilhas de identificação, que permitem aos pesquisadores reconhecê-la quando retorna ao arquipélago. O nome Wisdom foi escolhido em 2006 pelo cientista John Klavitter.
Durante essas décadas, estima-se que a albatroz tenha voado mais de 4,8 milhões de quilômetros, distância equivalente a aproximadamente 120 voltas ao redor da Terra. A espécie passa cerca de 90% do tempo no mar, procurando alimento, e retorna às ilhas principalmente durante o período reprodutivo.
Wisdom também sobreviveu ao tsunami que atingiu Midway em 2011, após um terremoto no Pacífico. O desastre teria provocado a morte de cerca de 2 mil albatrozes adultos e 110 mil filhotes. Ela escapou junto de seu filhote, que anos depois também se reproduziu, tornando a ave uma avó. Ao longo da vida, estima-se que Wisdom tenha tido entre 30 e 36 filhotes.
Novo parceiro contrariou as expectativas dos pesquisadores
Durante anos, Wisdom voltou à ilha acompanhada de Akeakamai, seu parceiro de longa data, visto pela última vez com ela em 2021. Quando o macho deixou de aparecer, surgiram dúvidas sobre a possibilidade de a albatroz encontrar outro companheiro, especialmente diante da concorrência com aves mais jovens.
Em março de 2024, a voluntária Ann Bell, que trabalhava na conservação ambiental de Midway, chegou a considerar “muito improvável” que Wisdom formasse outro casal. Meses depois, a previsão foi contrariada: a ave apareceu com um novo parceiro e botou um ovo aos 73 anos.
O filhote nasceu em janeiro de 2025, mas morreu em novembro do mesmo ano. Apesar da perda, a reprodução em idade tão avançada surpreendeu os pesquisadores e ampliou o conhecimento sobre a longevidade dos albatrozes.
Para a bióloga Beth Flint, do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS), acompanhar os retornos de Wisdom também ajuda a compreender como proteger essas aves. “Toda vez que ela volta à ilha, aprendemos mais sobre quanto tempo pássaros marinhos podem viver e ter filhotes”, afirmou.
Os albatrozes enfrentam ameaças como a elevação do nível do mar, que compromete áreas de reprodução, e a poluição dos oceanos por resíduos plásticos. Como essas aves produzem poucos filhotes por ciclo reprodutivo, a preservação dos locais onde formam suas colônias é especialmente importante.
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