Uma fuselagem de caça da Segunda Guerra Mundial passou mais de 20 anos dentro da garagem de Peter Arnold, um engenheiro automotivo britânico. Agora, o Spitfire PK519 foi vendido por R$ 120 mil. A estrutura integrava uma coleção de aeronaves históricas negociada em leilão no começo de outubro.
A venda da coleção ocorreu em 8 de outubro de 2026, sob responsabilidade da casa de leilões Dominic Winter. Embora seja frequentemente chamado de avião, o exemplar não estava completo: a fotografia divulgada mostra a fuselagem do caça, sem as asas, diante da residência de Arnold.
Como um caça da Segunda Guerra foi parar na garagem
A história começou em março de 1973, quando Arnold resgatou de um ferro-velho em Warrington, na Inglaterra, fuselagens de dois modelos britânicos fabricados pela Supermarine: o Spitfire e o Seafire. Décadas depois, uma dessas estruturas, identificada como PK519, continuava sob seus cuidados, ocupando o espaço que normalmente seria destinado a um automóvel.
Para Arnold, a garagem não era apenas um local de armazenamento. Ele fazia questão de apresentar o Spitfire às pessoas que visitavam sua casa.
O colecionador conhecido como “Sr. Spitfire”
Arnold construiu uma carreira na engenharia automotiva, mas ganhou projeção entre entusiastas da aviação por seu conhecimento dos caças da Supermarine. Colecionadores e escritores especializados passaram a chamá-lo de “Sr. Spitfire”, apelido associado à dedicação com que acompanhava a história dessas aeronaves.
O interesse ia além das peças que mantinha em casa. Ao longo dos anos, ele documentou aproximadamente 365 fuselagens de Spitfire e Seafire ainda existentes em diferentes regiões do mundo. O número se refere aos exemplares que registrou, não a aviões que possuía. Seu trabalho ajudava a identificar estruturas sobreviventes de modelos da aviação militar britânica.
Entre todos esses registros, o PK519 tinha uma característica singular: estava tão próximo do cotidiano de Arnold que se tornou parte do ambiente doméstico. Em agosto de 2003, ao comentar a presença do caça da Segunda Guerra em sua garagem à revista especializada Aeroplane, resumiu sua relação com o objeto em uma frase:
“Eu simplesmente gosto de tê-lo aqui.”
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