Em meio às avenidas, prédios e ao movimento de Teresina, existe uma floresta que guarda vestígios de árvores de aproximadamente 270 a 280 milhões de anos. Localizada às margens do Rio Poti, a Floresta Fóssil é um dos patrimônios naturais mais surpreendentes do Piauí e preserva testemunhos de um mundo que existiu muito antes dos dinossauros.
O local reúne troncos de árvores que foram petrificados ao longo de milhões de anos. Alguns deles permanecem em posição vertical, semelhante àquela em que as plantas cresceram originalmente.
Essa característica torna o sítio especialmente importante para a ciência, pois permite aos pesquisadores estudar vestígios da vegetação antiga no próprio ambiente em que ela existiu.
Uma floresta anterior aos dinossauros em plena Teresina
Os fósseis pertencem ao período Permiano, uma etapa da história geológica da Terra muito anterior ao surgimento dos dinossauros.
Naquele período, a vegetação e as condições ambientais eram diferentes das atuais. Com o passar do tempo, processos naturais favoreceram a preservação de estruturas vegetais, que chegaram até os dias de hoje como registros fossilizados.
O detalhe mais impressionante está na posição de alguns troncos: eles continuam no local onde as árvores cresceram, em vez de terem sido transportados para lá posteriormente.
É justamente essa preservação que ajuda a transformar a Floresta Fóssil em uma fonte de informações sobre a vegetação e as condições ambientais de milhões de anos atrás.
Floresta Fóssil fica às margens do Rio Poti
O patrimônio paleontológico está localizado na área urbana de Teresina, próximo ao Rio Poti, e integra a paisagem de uma capital construída entre dois rios.
Apesar da proximidade com ruas e bairros movimentados, a área conserva um conjunto de fósseis de grande importância científica.
Segundo informações técnicas divulgadas pelo Governo do Piauí, o sítio foi identificado pelo geólogo Miguel Arrojado Lisboa em 1909. Posteriormente, tornou-se parque municipal e recebeu proteção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A proteção busca preservar os troncos fossilizados e impedir que o patrimônio seja perdido pela ação humana, pelo desgaste natural ou por intervenções inadequadas.
Por que as árvores da Floresta Fóssil viraram pedra?
A fossilização da madeira ocorre quando condições geológicas permitem que estruturas vegetais sejam preservadas durante períodos extremamente longos.
Ao longo desse processo, minerais podem ocupar espaços presentes nos tecidos vegetais e preservar características da madeira original.
O resultado são estruturas petrificadas que permitem identificar aspectos da vegetação desaparecida há milhões de anos.
Os fósseis encontrados em Teresina não são árvores vivas transformadas repentinamente em pedra, mas registros produzidos por processos geológicos que ocorreram durante um período imenso.
Parque ganhou o nome de Niède Guidon
Em 2025, o espaço passou a se chamar Parque Floresta Fóssil Doutora Niède Guidon, em homenagem à arqueóloga reconhecida por seu trabalho de preservação do patrimônio científico e cultural do Piauí.
Niède Guidon teve atuação decisiva na projeção internacional do Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no sudeste do estado.
A mudança de nome reconhece sua contribuição à pesquisa e à valorização do patrimônio histórico brasileiro. A homenagem, entretanto, não significa que ela tenha sido a responsável pela descoberta da Floresta Fóssil de Teresina.
É possível visitar a Floresta Fóssil de Teresina?
O espaço também tem importância para a educação ambiental e o turismo científico. Escolas, estudantes e visitantes já participaram de atividades de observação dos troncos fossilizados e de visitas educativas.
Em material divulgado em abril de 2026, a Fundação Antares informou que a visitação era gratuita e que o parque contava com atividades guiadas e trilhas educativas.
Antes de planejar um passeio, o visitante deve confirmar as condições atuais de acesso e os horários de funcionamento com a administração responsável.
A Floresta Fóssil mostra que Teresina guarda muito mais do que sua história de capital fundada em 1852. Às margens do Rio Poti, a cidade preserva vestígios de um passado que antecede a própria existência dos dinossauros.
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