A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 374 milhões em bens e ativos de investigados por integrar um esquema de roubos, receptação, comércio ilegal de joias e lavagem de dinheiro em São Paulo. A medida faz parte da terceira fase da Operação Ouro Reverso, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo na terça-feira (27).
Batizada de “A Máquina”, a nova etapa concentra a investigação no núcleo financeiro da organização. Segundo a polícia, uma das empresas suspeitas de participar do esquema teria movimentado mais de R$ 356 milhões. Os investigadores procuram identificar como o dinheiro obtido com atividades criminosas circulava por empresas e contas bancárias até ser incorporado à economia formal.
Coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a operação prevê o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão, além da interdição de uma joalheria e do sequestro de um imóvel. Ao todo, 87 profissionais, entre policiais civis e representantes de órgãos públicos, foram mobilizados.
Empresas de fachada e laranjas eram usados para movimentar o dinheiro
As investigações apontam que o grupo atuava em diferentes etapas: obtenção de joias e metais preciosos por meio de roubos, receptação e transformação dos materiais e, posteriormente, movimentação dos valores para ocultar sua origem.
Na frente financeira, os suspeitos teriam utilizado empresas de fachada, pessoas interpostas — conhecidas como laranjas — e transferências sucessivas para dificultar o rastreamento do dinheiro. A análise de celulares, computadores, documentos contábeis e Relatórios de Inteligência Financeira revelou indícios de alterações societárias e transações entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a operação reúne inteligência policial e análise financeira para “atingir o patrimônio das organizações criminosas e enfraquecer sua capacidade de atuação”.
Colar de R$ 2 milhões entregue a Neymar deu origem à investigação

A apuração começou em 2024, depois que o influenciador conhecido como Buzeira presenteou o jogador Neymar com um colar avaliado em R$ 2 milhões durante um cruzeiro, realizado em dezembro de 2023. A entrega da joia levou os policiais a investigar a procedência do ouro utilizado na fabricação da peça.
Segundo o Governo de São Paulo, o responsável pelo presente tinha condenações por envolvimento com organização criminosa. Neymar não é investigado no caso.
A primeira fase da Operação Ouro Reverso ocorreu em maio de 2025, quando a polícia mirou o núcleo chamado “O Sangue”, formado por suspeitos de roubos violentos de alianças e receptação das joias.
Em agosto de 2026, a segunda fase, denominada “A Fachada”, atingiu estabelecimentos comerciais, oficinas e laboratórios suspeitos de transformar metais preciosos de origem criminosa em novos produtos. Parte dos alvos estava na região central de São Paulo conhecida como “Círculo do Fogo”, onde se concentram negócios ligados ao comércio e à fabricação de peças de ouro.
Naquela etapa, os policiais apreenderam R$ 1,6 milhão em joias, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 35 milhões em bens e ativos. A terceira fase amplia a investigação sobre a circulação dos recursos e busca alcançar os operadores financeiros apontados como responsáveis por ocultar a origem do dinheiro.
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