Pílula masculina que paralisa espermatozoides será testada em humanos

Composto sem hormônios apresentou ação temporária em camundongos, mas ainda não há previsão de chegar ao mercado.

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Pessoa de camiseta branca segura um frasco de medicamento em uma mão e exibe um comprimido branco na palma da outra.
Pesquisadores desenvolvem um anticoncepcional masculino sem hormônios que apresentou resultados promissores em camundongos e ainda será testado em humanos. Foto: Drazen Zigic/Getty Images.

Uma pílula anticoncepcional masculina capaz de interromper temporariamente o movimento dos espermatozoides será submetida a testes em humanos nos Estados Unidos. Desenvolvido por pesquisadores do Weill Cornell Medicine, ligado à Universidade Cornell, em Nova York, o composto não contém hormônios e foi concebido para ser utilizado pouco antes da relação sexual.

A proposta é oferecer um método contraceptivo de ação rápida e duração limitada, sem exigir o uso diário de medicamentos. Nos experimentos com camundongos, a substância conseguiu imobilizar os espermatozoides. A eficácia e a segurança como anticoncepcional em homens, porém, ainda não foram comprovadas.

Como funciona a pílula anticoncepcional masculina

O medicamento experimental atua sobre a adenilato ciclase solúvel, conhecida pela sigla sAC, uma enzima relacionada à capacidade de movimentação dos espermatozoides. Ao bloquear sua atividade, os pesquisadores conseguiram impedir que essas células nadassem nos testes realizados com animais.

A formulação foi desenvolvida para ser tomada cerca de 30 minutos antes da relação sexual, com uma janela de ação estimada entre seis e oito horas. A expectativa dos cientistas é que, terminado esse período, os espermatozoides recuperem sua mobilidade e a função reprodutiva seja restabelecida.

Um dos responsáveis pela pesquisa, Jochen Buck, explicou que a equipe desenvolveu uma molécula capaz de permanecer ligada ao seu alvo por várias horas, inclusive depois da ejaculação. Essa característica sustenta a proposta de um anticoncepcional de uso pontual, embora o comportamento do composto no organismo humano ainda precise ser avaliado.

Pesquisa recebeu US$ 8,2 milhões e entrará em testes clínicos

O desenvolvimento do medicamento recebeu financiamento de US$ 8,2 milhões do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano (NICHD), dos Estados Unidos.

A próxima etapa será a fase 1 dos ensaios clínicos. Homens saudáveis receberão a substância experimental ou um placebo, sem princípio ativo, para que os pesquisadores possam comparar os resultados e avaliar a segurança do composto. Caso os dados sejam favoráveis, o projeto poderá avançar para a fase 2, com um grupo maior de participantes.

Até o momento, não existe previsão para a conclusão dos estudos nem garantia de que a pílula será aprovada para comercialização.

Anticoncepcional masculino ainda não tem aprovação para venda

A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, ainda não aprovou uma pílula anticoncepcional masculina para comercialização. Além da alternativa desenvolvida em Cornell, outras equipes investigam comprimidos de uso diário, injeções de longa duração e formulações em gel.

O interesse por métodos reversíveis está entre os fatores considerados nessas pesquisas. A possibilidade de evitar temporariamente a fertilização, sem impedir permanentemente a reprodução, é apontada como um dos atrativos de uma alternativa masculina de curta duração.

Mesmo que a nova pílula tenha sua eficácia contraceptiva demonstrada no futuro, ela não substituirá o preservativo na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. O Ministério da Saúde recomenda a camisinha como proteção contra doenças como HIV, sífilis, HPV, hepatites e gonorreia.

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