Grávida de 35 semanas sofre três AVCs e descobre doença cerebral rara

Molly Poenitzsch, de 39 anos, passou por cesariana de emergência no Texas; a filha nasceu saudável, e a mãe ainda apresenta alterações de sensibilidade e memória.

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Montagem com duas fotos de Molly Poenitzsch no hospital: à esquerda, sorrindo com curativo na cabeça; à direita, deitada em uma cama hospitalar com os olhos fechados.
Molly Poenitzsch em dois registros durante a internação. Grávida de 35 semanas, ela sofreu três AVCs e descobriu uma doença cerebral rara, conhecida como Moyamoya. | Fotos: Cortesia de Molly Poenitzsch

Grávida de 35 semanas do terceiro filho, a norte-americana Molly Poenitzsch, de 39 anos, sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), precisou passar por uma cesariana de emergência e descobriu que convivia havia mais de três décadas com uma doença rara que compromete a circulação sanguínea no cérebro. A sequência de emergências aconteceu no primeiro semestre de 2026, no Texas, Estados Unidos.

Molly foi diagnosticada com a doença de Moyamoya, condição que provoca o estreitamento ou o bloqueio das artérias responsáveis por levar sangue ao cérebro. Antes do diagnóstico, ela havia passado grande parte da vida enfrentando episódios neurológicos sem uma explicação definitiva.

Durante a internação, a norte-americana foi submetida a uma cirurgia de revascularização e permaneceu 16 dias no hospital. Sua filha Rose nasceu saudável, mas a mãe precisou ficar separada da recém-nascida durante boa parte da recuperação.

Os primeiros sintomas apareceram quando Molly tinha sete anos

A história de Molly com os sintomas neurológicos começou na infância. Aos sete anos, ela passou a sofrer dores de cabeça tão intensas que, em algumas ocasiões, chorava e vomitava. As crises interferiam na rotina escolar e só melhoravam depois que conseguia dormir.

Ao recordar aquela época, ela descreveu o sofrimento provocado pelas dores recorrentes:

A dor de cabeça durava o dia todo sem alívio, exceto quando eu dormia

Molly Poenitzsch

Nas consultas médicas, recebia prescrições de anti-inflamatórios. Com o passar do tempo, os medicamentos se tornaram mais fortes, mas não ofereciam o alívio esperado. Diante da persistência das crises, Molly acabou desistindo do tratamento.

Em determinado episódio, a dor foi tão intensa que ela caiu no chão, teve tremores pelo corpo e bateu repetidamente a cabeça em uma cadeira próxima. A crise durou aproximadamente um minuto. Depois disso, segundo seu relato, não voltou a apresentar aquelas dores de cabeça incapacitantes.

Outro acontecimento preocupante ocorreu quando tinha entre 14 e 15 anos. Enquanto falava ao telefone para combinar uma carona até a escola, Molly perdeu subitamente a capacidade de falar. O episódio não se repetiu, mas permaneceu sem explicação médica.

Hoje, ela suspeita que possa ter sofrido naquela ocasião um ataque isquêmico transitório (AIT), conhecido popularmente como mini-AVC. Essa possibilidade, entretanto, não foi confirmada por diagnóstico médico na época.

AVC aconteceu enquanto o marido dava banho nos filhos

Décadas depois, já na reta final da terceira gravidez, Molly estava no quarto de casa quando começou a passar mal. Seu marido, James, dava banho nos dois filhos mais velhos do casal, Archer e Leo.

A gestante sentiu dores fortes, começou a vomitar e passou a ter dificuldade para organizar frases e responder às perguntas. Ao perceber a gravidade da situação, James telefonou para o serviço de emergência dos Estados Unidos, pelo número 911.

Os paramédicos levaram Molly ao Hospital Memorial Hermann, no Texas Medical Center. Durante a internação de 16 dias, ela sofreu outros dois AVCs, além do episódio que havia motivado o atendimento inicial.

Diante das complicações, a equipe médica decidiu antecipar o nascimento do bebê por meio de uma cesariana de emergência. Rose nasceu saudável. Para Molly, porém, o período também foi marcado pela distância da filha recém-nascida enquanto precisava receber os cuidados hospitalares.

Após os exames, os médicos identificaram a doença de Moyamoya. Molly também passou por uma cirurgia de revascularização, procedimento destinado a melhorar o fornecimento de sangue ao cérebro.

O que é a doença de Moyamoya

A doença de Moyamoya é uma alteração rara dos vasos sanguíneos cerebrais. De acordo com informações da Clínica Mayo apresentadas no relato, as artérias responsáveis por irrigar o cérebro podem ficar progressivamente estreitas ou bloqueadas, reduzindo a chegada de sangue ao órgão.

Como consequência, podem se formar pequenos vasos sanguíneos, que também apresentam risco de rompimento. A condição está associada a manifestações como dores de cabeça, convulsões e acidentes vasculares cerebrais, inclusive episódios de hemorragia.

No caso de Molly, o diagnóstico veio apenas depois das emergências durante a gestação. Embora ela relate sintomas desde a infância, não houve confirmação médica, na época, de que todos aqueles episódios estivessem relacionados à doença.

Mãe e filha se recuperam após a emergência

Atualmente, Molly apresenta boa recuperação e não possui déficits motores, segundo as informações divulgadas sobre seu estado de saúde. Ainda assim, ela relata uma discreta perda de sensibilidade na perna direita e dificuldades relacionadas à memória de curto prazo.

Sua filha Rose, agora com oito meses, também está saudável.

Depois de enfrentar os AVCs, a cesariana e a descoberta da doença cerebral, Molly decidiu compartilhar sua experiência para incentivar outras pessoas a investigar sintomas neurológicos persistentes ou sem explicação. A história reúne manifestações que começaram na infância e um diagnóstico que só chegou mais de 30 anos depois.

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