Preços dos alimentos sobem 2,4% nas fábricas em setembro

Açúcar, óleos e gorduras tiveram altas superiores a 6%, em meio a chuvas excessivas e preocupações com o El Niño.

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Trabalhador com roupa de proteção branca, luvas azuis e protetores auriculares amarelos manuseia alimentos em uma esteira industrial.
Trabalhador atua em uma linha de produção de alimentos. Os preços do setor na saída das fábricas subiram 2,4% em setembro, segundo o IBGE. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.

Os preços dos alimentos na saída das fábricas brasileiras subiram 2,40% de agosto para setembro de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta contribuiu para a aceleração da inflação industrial, medida pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP), que avançou 1,54% no conjunto dos 24 setores pesquisados.

Entre os produtos alimentícios, os maiores aumentos destacados pelo levantamento ocorreram na fabricação e no refino de açúcar, com alta de 6,55%, e na produção de óleos e gorduras vegetais e animais, cujos preços subiram 6,22% em apenas um mês.

Segundo Murilo Alvim, gerente da pesquisa do IBGE, o excesso de chuvas em regiões produtoras e as preocupações com os possíveis efeitos do fenômeno El Niño ajudaram a explicar o encarecimento desses produtos. As condições climáticas influenciaram o comportamento dos preços em um setor que tem o maior peso na composição do índice industrial.

Indústria extrativa registra alta ainda maior

Apesar do peso dos alimentos, a maior variação de setembro ocorreu nas indústrias extrativas, com aumento de 11,04%. O IBGE relacionou o resultado ao encarecimento do petróleo, associado às tensões no Oriente Médio.

Os números mostram uma mudança no comportamento dos preços industriais nos últimos meses. Em julho, o índice havia registrado queda de 0,83%. Em agosto, voltou a subir, com avanço de 0,34%, antes de acelerar em setembro.

O resultado também evidencia que as pressões sobre os custos industriais não ficaram restritas a um único segmento. Enquanto a indústria alimentícia enfrentou aumentos associados às condições climáticas, o setor extrativo foi afetado pela valorização do petróleo.

Alta nas fábricas pode chegar aos supermercados?

O aumento de 2,40% não significa que os consumidores já estejam pagando esse mesmo percentual a mais pelos alimentos nos supermercados.

O IPP acompanha os preços recebidos pelos fabricantes antes da inclusão de impostos, fretes e outras despesas da comercialização. Por isso, a elevação registrada na indústria pode influenciar os preços finais, mas não é necessariamente repassada de forma integral ou imediata ao consumidor.

Essa é a principal diferença em relação à inflação ao consumidor medida pelo IPCA, indicador que acompanha a variação dos preços de produtos e serviços pagos pelas famílias. Os dois índices retratam etapas diferentes da formação de preços na economia brasileira.

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