Luiz Inácio Lula da Silva iniciará seu quarto mandato com uma base de apoio no Congresso muito menor do que a que sustentou seus primeiros governos. Na Câmara dos Deputados, o núcleo de aliados considerados consistentes pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) caiu de 291, no segundo mandato, para uma projeção de 124 em 2027. São 167 deputados a menos, uma redução de aproximadamente 57% em relação àquele período.
O levantamento, elaborado antes do segundo turno e atualizado em sua interpretação após a reeleição de Lula no domingo (25), aponta que o petista terá a menor bancada de apoio consistente de seus quatro mandatos. Os números não representam a totalidade dos parlamentares que poderão votar com o governo, mas o grupo classificado pelo instituto como sua sustentação mais estável.
Na Câmara, outros 246 deputados foram enquadrados como apoio condicionado, ou seja, poderão acompanhar o Executivo conforme o assunto em votação. Os 143 restantes integram a oposição. Para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC), o governo precisará reunir 308 votos, o que exigiria conquistar outros 184 além dos 124 considerados consistentes.
Como mudou o apoio a Lula no Congresso
A redução não começou agora. O estudo identifica 207 deputados de apoio consistente no primeiro mandato de Lula, número que cresceu para 291 no segundo governo. Quando o petista voltou à Presidência, em 2023, esse grupo havia diminuído para 140. A projeção para a legislatura que começa em 2027 indica uma nova queda.
| Governo | Deputados | Senadores |
|---|---|---|
| Lula I | 207 | 45 |
| Lula II | 291 | 44 |
| Lula III | 140 | 17 |
| Lula IV* | 124 | 16 |
O cenário foi apresentado pelo Diap no estudo “Cenários de base de apoio no Congresso a partir de 2027”, publicado em 13 de outubro. O instituto considera que a formação de maiorias dependerá da negociação com bancadas que não acompanham o Executivo automaticamente.
No Senado, faltariam votos até com o apoio condicionado
A situação é mais restrita no Senado. O Diap identifica 16 senadores de apoio consistente, 31 de apoio condicionado e 34 de oposição. Mesmo que todos os parlamentares do grupo condicionado votassem com o governo, a soma chegaria a 47 votos. Para aprovar uma PEC, são necessários 49, em dois turnos de votação.
O PL também sairá fortalecido das eleições, com 121 deputados e 28 senadores, segundo o levantamento. Já os partidos associados ao Centrão terão peso nas negociações com o Planalto, especialmente em propostas que exigem quórum elevado.
Entre as matérias que dependerão dessa articulação está a PEC da Segurança Pública, que amplia a atuação federal no combate às organizações criminosas e aguarda votação no Senado. O Congresso também terá de discutir outras propostas do Executivo, incluindo medidas de regulamentação do trabalho e do mercado digital.
O Diap aponta ainda a ampliação da influência parlamentar sobre o Orçamento, especialmente por meio das emendas parlamentares, como um fator que modificou a relação entre governo e Congresso.
Outra decisão importante ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, quando deputados e senadores escolherão os presidentes das duas Casas. Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que declararam apoio à reeleição de Lula, buscam permanecer nos cargos. As presidências têm influência direta sobre quais propostas entram na pauta e quando serão submetidas à votação.
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