Inflação deve superar teto da meta em 2026; mercado eleva previsão para 2027

Boletim Focus prevê inflação de 5,22% neste ano e 4,32% em 2027, além de reduzir as estimativas de crescimento da economia.

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Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, vista de baixo, com fachada envidraçada, colunas verticais e céu nublado ao fundo.
Sede do Banco Central, em Brasília; mercado prevê inflação de 5,22% em 2026. | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A inflação de 2026 deve terminar acima do teto estabelecido pelo sistema de metas do Brasil. Os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram a previsão de 5,22% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), enquanto elevaram a estimativa para 2027. O resultado faz parte do Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (19), que também trouxe revisões para baixo no crescimento da economia.

A projeção para o próximo ano subiu de 4,30% para 4,32%. Embora o ajuste seja pequeno, a expectativa para 2027 permanece próxima do limite máximo permitido pelo sistema de metas, enquanto a previsão para 2026 continua acima desse patamar.

O boletim reúne as expectativas de instituições financeiras e analistas econômicos sobre inflação, atividade econômica, juros e câmbio. As estimativas refletem a avaliação dos participantes do mercado e não representam resultados já registrados.

Inflação de 2026 continua acima do teto de 4,5%

A meta central de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o intervalo admitido vai de 1,5% a 4,5%.

Com a inflação projetada em 5,22%, o mercado espera que o IPCA termine 2026 em um nível 0,72 ponto percentual acima do teto. A estimativa permaneceu inalterada em relação ao levantamento da semana passada.

Para 2027, a previsão avançou de 4,30% para 4,32%. O índice ainda está abaixo do limite de 4,5%, mas a distância é de apenas 0,18 ponto percentual.

Já a projeção para 2028 apresentou melhora, passando de 3,79% para 3,75%. Apesar da redução, a estimativa continua acima da meta central de 3%.

O quadro para 2026 contrasta com o objetivo oficial de estabilidade dos preços. O 40graus já mostrou que a inflação acumulada em 12 meses ultrapassou o teto da meta em setembro, após a pressão exercida pela conta de luz.

Mercado reduz previsão de crescimento do PIB para 2026 e 2027

As projeções de inflação vieram acompanhadas de perspectivas menos favoráveis para a atividade econômica. O mercado reduziu de 1,85% para 1,83% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026.

O corte foi maior para 2027. A expectativa de expansão da economia passou de 1,40% para 1,32%, indicando que os analistas consultados pelo Banco Central passaram a prever um ritmo ainda mais lento para o próximo ano.

Também houve revisão para 2028, de 1,83% para 1,81%.

As estimativas apontam para crescimento inferior ao registrado em 2025, quando a economia brasileira avançou 2,3%, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mencionados no levantamento.

A combinação de inflação projetada acima do limite em 2026 e menor expansão do PIB mantém a atenção sobre dois indicadores fundamentais da economia: o comportamento dos preços e o ritmo de crescimento da produção nacional.

Selic deve terminar 2026 em 13,25%, prevê Focus

O mercado manteve a estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, em 13,25% ao ano no encerramento de 2026. A previsão permanece em 12% para o fim de 2027 e em 10,5% para 2028.

Na reunião de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa de 14% para 13,75% ao ano. A próxima reunião está prevista para os dias 3 e 4 de novembro.

A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. A taxa influencia as condições de financiamento da economia e serve de referência para os juros praticados no mercado.

Mesmo com a expectativa de novos cortes até o encerramento de 2026, as projeções do Focus apontam para juros ainda elevados ao fim deste ano e do próximo.

Projeções para o dólar recuam até 2028

As estimativas para a cotação do dólar seguiram uma direção diferente. Para o encerramento de 2026, o mercado reduziu a previsão de R$ 5,15 para R$ 5,13.

Em 2027, a expectativa caiu de R$ 5,26 para R$ 5,22. Para 2028, houve uma redução de R$ 5,30 para R$ 5,29.

As três revisões indicam expectativas de câmbio ligeiramente menores do que as registradas no levantamento anterior.

Veja as projeções econômicas do Relatório Focus

Indicador 2026 2027 2028
Inflação (IPCA) 5,22% 4,32% 3,75%
PIB (crescimento) 1,83% 1,32% 1,81%
Selic (fim do ano) 13,25% 12% 10,5%
Dólar (fim do ano) R$ 5,13 R$ 5,22 R$ 5,29

Projeções do Relatório Focus divulgado em 19 de outubro de 2026. Os valores representam expectativas do mercado financeiro, não resultados efetivos.

O Relatório Focus é divulgado normalmente às segundas-feiras e reúne projeções coletadas até a sexta-feira anterior. A atualização desta semana mantém a perspectiva de descumprimento da meta de inflação em 2026 e reduz as estimativas de crescimento da economia nos três anos analisados.

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