Lula defende responsabilidade fiscal, mas governo não anuncia cortes de gastos

Presidente diz que Brasil precisa de uma economia organizada para atrair investimentos, em meio à pressão do mercado por ajuste nas contas públicas

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Presidente Lula discursa diante de microfones, com as mãos levantadas e bandeiras ao fundo.
Lula defende responsabilidade fiscal para atrair investimentos, em meio à pressão do mercado por medidas de controle dos gastos públicos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (5) a responsabilidade fiscal como condição para atrair investimentos ao Brasil. A declaração ocorre em meio à desconfiança do mercado financeiro sobre a capacidade do governo de controlar as despesas públicas após a reeleição do petista.

Durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o país precisa demonstrar seriedade e oferecer segurança aos investidores.

O presidente disse que o capital estrangeiro depende de perspectivas de retorno financeiro e de um ambiente econômico estável. Segundo ele, o Brasil precisa ter responsabilidade jurídica e fiscal para conquistar a confiança de quem pretende investir.

“Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”, afirmou Lula.

Mercado cobra ajuste fiscal após reeleição

As declarações ocorrem depois de uma forte reação dos mercados à vitória de Lula no segundo turno. Desde a eleição, investidores demonstram preocupação com o crescimento dos gastos públicos e a condução da política econômica no próximo mandato.

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu a sequência de cortes da taxa básica de juros e manteve a Selic em 13,75% ao ano. A decisão ocorreu em um cenário de expectativas de inflação elevadas e incertezas sobre os rumos da economia.

Apesar do discurso favorável à responsabilidade fiscal, o governo ainda não apresentou medidas específicas para conter o crescimento das despesas públicas.

Governo busca investimentos em minerais estratégicos

Na reunião desta quinta-feira, o governo também aprovou uma lista de 27 minerais considerados críticos e estratégicos para o país. Entre eles estão terras raras, lítio, grafita, cobre e urânio.

Lula afirmou que a estratégia não pretende concentrar toda a exploração mineral nas mãos do Estado. O governo quer atrair parceiros privados e estrangeiros para ampliar o processamento e a industrialização dessas matérias-primas no Brasil.

Mais cedo, o presidente havia se reunido com ministros e integrantes da equipe econômica. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que não foram discutidas medidas específicas de corte de gastos. A equipe econômica deverá apresentar novas avaliações do cenário fiscal depois da viagem de Lula à COP31, na Turquia.

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