Sal com potássio pode evitar quase 3 milhões de mortes por ano, aponta estudo

Pesquisa com dados de 193 países indica que substituir parte do sódio pode reduzir casos de infarto, AVC e doenças renais; alternativa exige cuidados

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Pessoa segura um recipiente metálico de tempero sobre uma salada com folhas, croutons e pedaços de carne.
Estudo aponta que substituir o sal comum por uma alternativa enriquecida com potássio poderia evitar quase 3 milhões de mortes por ano no mundo (Foto ilustrativa: Magnific)

Substituir o sal comum por uma versão enriquecida com potássio poderia evitar cerca de 3 milhões de mortes por ano em todo o mundo. A estimativa é de um estudo publicado nesta quarta-feira (4) na revista científica Nature Health, que analisou os possíveis efeitos da mudança na alimentação de adultos de 193 países e territórios.

Pesquisadores do The George Institute for Global Health e da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, calcularam que a substituição global poderia prevenir 2,96 milhões de mortes e 10,17 milhões de novos casos de doenças cardiovasculares e renais a cada ano.

Os números representam projeções feitas a partir de modelos epidemiológicos. Portanto, não significam que essas mortes já tenham sido evitadas nem que os resultados sejam garantidos.

Como o sal com potássio ajuda a controlar a pressão

O sal comum é formado principalmente por cloreto de sódio. Já a alternativa estudada substitui parte dessa substância por cloreto de potássio. No principal cenário da pesquisa, os cientistas consideraram uma composição de 75% de cloreto de sódio e 25% de cloreto de potássio.

A mudança atua sobre dois fatores ligados à hipertensão: o consumo excessivo de sódio e a ingestão insuficiente de potássio. Dessa forma, pode ajudar a reduzir a pressão arterial e, consequentemente, o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e complicações renais.

Os pesquisadores também avaliaram alternativas de substituição parcial. Trocar apenas o sal utilizado no preparo doméstico dos alimentos poderia evitar 1,85 milhão de mortes por ano. Já a mudança nos alimentos industrializados e nas refeições de restaurantes teria potencial para prevenir 1,56 milhão.

Esses valores correspondem a cenários diferentes e não devem ser somados. A estimativa de 2,96 milhões considera uma substituição global mais ampla, envolvendo as duas fontes de consumo.

Substituto não é seguro para todas as pessoas

Apesar dos benefícios estimados, o sal enriquecido com potássio exige cuidados. Pessoas com problemas renais podem ter dificuldade para eliminar o excesso desse mineral, aumentando o risco de hipercalemia, condição que pode provocar alterações graves no funcionamento do coração.

O mesmo cuidado vale para quem utiliza determinados medicamentos que elevam os níveis de potássio no sangue. Nesses casos, a substituição não deve ocorrer sem orientação profissional.

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a sugerir o uso de substitutos com menos sódio e mais potássio para adultos da população geral. A recomendação não se aplica a pessoas com comprometimento renal, crianças ou gestantes.

A orientação também não significa que o sal possa ser consumido livremente. A OMS continua recomendando menos de 5 gramas de sal por dia para adultos, considerando todas as fontes presentes na alimentação.

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