Flávio diz que Trump já não considera o Brasil uma democracia plena

Senador afirma que pode falar sem medo de prisão nos EUA e não vê motivo para retornar ao Brasil

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Homem de terno escuro e camisa branca, em fotografia de destaque da matéria sobre Flávio Bolsonaro e Donald Trump.
Flávio Bolsonaro afirmou ao Washington Post que Donald Trump já não considera o Brasil uma democracia plena — Foto: Reprodução.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena. A declaração foi dada em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, realizada na quinta-feira (5), na Flórida, e publicada neste sábado (7).

Flávio fez duras críticas ao funcionamento das instituições brasileiras e comparou a situação do país com a dos Estados Unidos. “As instituições americanas ainda funcionam. Enquanto no Brasil, elas não funcionam mais”, afirmou o senador.

Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, Flávio está nos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. Segundo o Washington Post, a família foi recebida pelo governo americano por razões humanitárias. Trump também declarou que o senador poderá permanecer no país pelo tempo que desejar.

Ao ser questionado sobre seus próximos passos, Flávio afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva. Sua prioridade, segundo ele, é regularizar a situação migratória nos Estados Unidos. O senador também disse não ver sentido em voltar ao Brasil neste momento.

Flávio deixou o Brasil após ordem de Alexandre de Moraes

Na entrevista, Flávio relatou que decidiu deixar o país depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega de seus passaportes no prazo de 24 horas. A ordem foi expedida no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

A determinação ocorreu após uma visita do senador ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar em Brasília. Flávio contou que os dois conversaram sobre a situação e que o pai, emocionado, demonstrou preocupação com o que poderia acontecer.

Depois da visita, o senador passou cerca de 36 horas sem aparecer publicamente. Ele voltou a ser visto em um aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.

Questionado pelo Washington Post sobre a viagem e a possibilidade de ter recebido ajuda de autoridades estrangeiras, Flávio se recusou a revelar o caminho percorrido. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou envolvimento direto do governo dos Estados Unidos na saída do parlamentar.

Senador volta a questionar resultado da eleição

Flávio também voltou a questionar o resultado da eleição presidencial e contestou declarações do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, sobre a regularidade do pleito.

O senador criticou a avaliação de Nunes Marques e argumentou que ninguém, nem mesmo o presidente do TSE, poderia garantir com certeza absoluta que não houve fraude na eleição.

Segundo Flávio, a possibilidade de falar livremente sobre essas questões, sem receio de ser preso, foi um dos motivos que o levaram aos Estados Unidos.

Na noite em que concedeu a entrevista, o senador participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada em Mar-a-Lago, propriedade de Donald Trump em Palm Beach, na Flórida.

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