O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a TV Globo por exibir uma propaganda sobre a fome no Brasil e acusou a emissora de dar espaço a uma informação que classificou como mentira. A declaração foi feita na sexta-feira (6), durante uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília.
Lula contou que estava em casa, na noite anterior, quando viu na televisão um anúncio que, segundo ele, afirmava que 7 milhões de crianças passam fome no país. O presidente disse que a propaganda o deixou indignado e que quase se engasgou ao assistir à mensagem.
A reação veio acompanhada de críticas à imprensa brasileira. Lula afirmou que os veículos de comunicação costumam dar mais destaque aos problemas do que às conquistas do governo, dizendo que a imprensa “prefere criticar do que elogiar”.
O presidente também cobrou uma investigação para identificar a organização responsável pela campanha e esclarecer a origem das informações. Ao questionar o apoio da Globo ao anúncio, perguntou “quem está contando essa mentira”.
Propaganda cita 7 milhões de brasileiros
Lula não identificou qual anúncio havia assistido. No entanto, o roteiro de uma campanha contra a fome obtido pela Folha de S.Paulo apresenta um dado diferente daquele mencionado pelo presidente.
A peça faz referência a aproximadamente 7 milhões de brasileiros que enfrentam a falta de alimentos. Na sequência, alerta para os prejuízos que a fome pode causar ao futuro das crianças. O número divulgado não se refere exclusivamente ao público infantil.
Globo responde à crítica de Lula
A TV Globo informou que a propaganda é uma iniciativa do Pacto Contra a Fome, organização social apoiada pela emissora desde 2023. Segundo a empresa, o anúncio foi produzido pela própria organização e utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Pacto Contra a Fome explicou que a referência a 7 milhões de brasileiros é um arredondamento dos dados de 2024, quando a pesquisa apontou aproximadamente 6,48 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave no país.
Em nota, a organização afirmou que trabalha para mobilizar a sociedade contra a fome e o desperdício de alimentos. Também reconheceu os avanços registrados nos últimos anos, mas defendeu a continuidade e o aperfeiçoamento das iniciativas de combate à insegurança alimentar.
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