Hugo Motta (Republicanos-PB) já reúne o apoio do PT e de partidos do Centrão para tentar continuar na presidência da Câmara dos Deputados em 2027. Mas a negociação está longe de ser simples. Enquanto parte do PL busca espaço em um possível acordo, parlamentares petistas resistem à entrada da legenda na mesma aliança.
Segundo a Revista Oeste, integrantes do PT sinalizaram que podem abandonar o bloco caso Motta feche uma negociação para incluir o PL. A possibilidade expõe o impasse enfrentado pelo presidente da Câmara, que tenta ampliar seus apoios sem perder os partidos que já se comprometeram com sua reeleição.
Os acordos envolvem mais do que a escolha de quem vai comandar a Casa. Estão em disputa a distribuição de cargos na Mesa Diretora, as presidências das comissões e a influência dos partidos sobre as propostas que serão votadas nos próximos anos.
PT se aproxima do Centrão, mas não quer dividir espaço com o PL
A federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou apoio à reeleição de Hugo Motta em 27 de outubro. A decisão colocou os partidos da base de Lula ao lado de legendas como União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB e Podemos, que também defendem a permanência do deputado paraibano no comando da Câmara.
O líder do PT na Casa, Pedro Uczai (SC), justificou a aliança como uma forma de garantir condições para o avanço das propostas do governo. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) deixou claro que o acordo tem também um objetivo político: impedir que o PL assuma a presidência da Câmara e do Senado.
A federação terá 88 deputados na próxima legislatura. Com sua participação, o bloco de centro poderá chegar a 328 parlamentares, número superior aos 257 votos necessários para eleger o presidente da Câmara caso todos os 513 deputados participem da votação.
Isso, porém, não resolve todas as negociações. A resistência à entrada do PL mostra que o apoio a Motta não significa disposição para compartilhar o mesmo bloco com qualquer partido.
Nikolas Ferreira rejeita acordo com Hugo Motta
No PL, a divisão também é evidente. A legenda elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada individual da Câmara a partir de fevereiro. Parte do partido considera importante negociar cargos e comissões, enquanto outra ala defende uma candidatura própria.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) está entre os principais críticos da aproximação. Após uma reunião na sede do partido, em Brasília, na terça-feira (3), ele afirmou que prefere abrir mão da possibilidade de presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a apoiar Motta.
“Entre a presidência da CCJ e entre manter a coerência, eu prefiro abrir mão da CCJ”, declarou.
Nikolas argumenta que o PL não deve deixar de lado suas posições políticas para conseguir espaço na estrutura da Câmara. Ele também defendeu que a legenda apresente um candidato próprio e mencionou Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) como alternativas.
Sóstenes, no entanto, já havia descartado a intenção de disputar o cargo depois da reeleição de Lula. O líder do PL afirmou que considerava concorrer caso Flávio Bolsonaro tivesse vencido a eleição presidencial, mas não pretende ser candidato no atual cenário.
Comando das comissões está no centro da disputa
O interesse do PL em negociar com Motta passa principalmente pela distribuição das comissões permanentes. A CCJ é uma das mais disputadas porque analisa a constitucionalidade e a legalidade de projetos que tramitam na Câmara.
O tamanho dos blocos parlamentares influencia a ordem de escolha desses espaços. Por isso, permanecer isolado pode dificultar ao PL o acesso às comissões que pretende comandar.
A situação cria um conflito para Motta. Uma negociação com o PL poderia ampliar sua base de apoio, mas também provocar a saída de integrantes do PT, que já anunciaram apoio à sua reeleição.
Até agora, não há acordo público que garanta ao PL o comando da CCJ ou de outra comissão específica. A composição da Mesa Diretora também continua em negociação.
O União Brasil reforçou seu apoio à reeleição de Motta na quarta-feira (4), durante um encontro com deputados eleitos. Ao todo, 15 partidos já manifestaram apoio à continuidade do atual presidente da Câmara, embora isso não obrigue seus parlamentares a votar nele.
O PL deverá voltar a discutir sua posição em 11 de novembro, durante uma reunião com os deputados eleitos. A votação para a presidência da Câmara está marcada para 1º de fevereiro de 2027 e será secreta.
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