O lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes, de 32 anos, preso após espancar três vizinhas em um prédio na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmou à polícia que não se lembra das agressões. Em depoimento, ele disse fazer uso de anabolizantes e sugeriu que isso poderia explicar a falta de memória.
A alegação é investigada pela Polícia Civil, mas ainda não há confirmação de que o uso de qualquer substância tenha relação com os ataques, ocorridos na madrugada de quinta-feira (5), em um condomínio na Avenida Maracanã.
Naquela noite, Lucas teria começado uma confusão dentro do próprio apartamento antes de sair pelo prédio, ameaçar moradores de morte e entrar em imóveis vizinhos. Uma das mulheres conseguiu escapar pelas escadas com a família. Outra, de 81 anos, foi agredida e precisou ser hospitalizada. A idosa sofreu traumatismo craniano e continua internada.
Mulher foi espancada ao tentar socorrer uma vizinha
Outro ataque aconteceu quando uma moradora ouviu os pedidos de socorro de uma vizinha e saiu para ajudá-la. Ao abrir a porta do elevador, encontrou o lutador e foi violentamente agredida.
A mulher foi derrubada e recebeu socos e chutes. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Lucas também aplicou um golpe de estrangulamento conhecido como mata-leão. Mesmo ferida, a vítima conseguiu escapar e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, que a levou ao Hospital Municipal Souza Aguiar.
As câmeras de segurança registraram a agressão dentro do elevador. As imagens mostram a sequência de golpes contra a moradora e marcas de sangue deixadas no local.
Vizinhos já relatavam problemas com o lutador
Um funcionário do condomínio contou à polícia que Lucas costumava provocar moradores, esbarrar nas pessoas sem motivo e causar transtornos com gritos e música alta. Os investigadores também receberam relatos de possíveis confusões anteriores em academias, que ainda serão apurados.
Policiais militares e guardas municipais foram chamados durante os ataques. Segundo o Ministério Público, o lutador reagiu à abordagem, tentou tomar a arma de um policial e acabou baleado nas pernas.
Lucas foi preso na sexta-feira (6) e levado ao presídio de Benfica. A Justiça autorizou sua prisão temporária por 30 dias, com possibilidade de prorrogação. Ele é investigado por tentativa de feminicídio, ameaça, violação de domicílio, lesão corporal e resistência.
A audiência de custódia estava prevista para a tarde deste sábado (7). Até a publicação da reportagem original, a defesa do lutador não havia sido localizada para comentar as acusações.
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