Carne bovina deve continuar cara em 2027 com redução da oferta, prevê banco

Rabobank estima queda de 6% na quantidade de carne destinada ao mercado brasileiro, enquanto frango e carne suína devem ganhar espaço no consumo

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Cortes de carne bovina crua, com camadas de gordura, dispostos sobre uma superfície de madeira.
Carne bovina deve continuar cara em 2027, com redução da oferta no mercado brasileiro, segundo projeção do Rabobank. Foto: Reprodução

A carne bovina deve continuar cara em 2027. A previsão é do Rabobank, que aponta uma redução na oferta de animais para abate e novas valorizações do boi gordo, principalmente no segundo semestre do próximo ano.

Segundo relatório divulgado pelo banco, a quantidade de carne bovina destinada ao mercado brasileiro deve cair 6% em 2027, chegando a 6,5 milhões de toneladas. Com menos produto disponível, a expectativa é de que os preços permaneçam elevados e os consumidores procurem alternativas mais baratas, como frango e carne suína.

A redução da oferta está relacionada à decisão dos pecuaristas de preservar mais fêmeas para reprodução, depois de anos de abates elevados. Essa recomposição dos rebanhos diminui a quantidade de animais disponíveis para os frigoríficos e pressiona os preços.

O movimento já aparece nas cotações. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), citados pelo Rabobank, a arroba do boi gordo chegou a R$ 380 em outubro de 2026, alta de 4% em relação ao mês anterior. Os preços dos bezerros também alcançaram níveis recordes em setembro.

Frango e carne suína devem ganhar espaço

Com a carne bovina menos acessível, o Rabobank prevê um aumento da participação de outras proteínas na alimentação dos brasileiros. A oferta de carne suína destinada ao mercado interno deve crescer 2,5%, chegando a 4,4 milhões de toneladas em 2027. No caso do frango, a projeção é de alta de 2%, para 10,8 milhões de toneladas.

Enquanto o consumidor brasileiro deve encontrar menos carne bovina disponível, as exportações do setor devem continuar avançando. O banco estima embarques de 4,5 milhões de toneladas em equivalente carcaça em 2027, crescimento de 1,5% em relação a 2026.

O clima também pode pressionar a produção. Segundo o relatório, o fenômeno El Niño representa um risco para as pastagens e os custos de alimentação do gado, especialmente diante da possibilidade de períodos de seca e chuvas irregulares.

Para o Rabobank, a menor oferta de animais e a valorização do boi gordo devem manter a pressão sobre os preços ao longo de 2027. O tamanho dos reajustes para o consumidor dependerá da capacidade dos frigoríficos de repassar os custos ao mercado interno.

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