O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6), por 44 votos a zero, o impeachment do presidente Santiago Peña. A decisão encerra seu mandato em meio à grave crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição financeira que mantinha relações com o governo e deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
A crise começou depois que o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, na terça-feira (3), ao identificar problemas de solvência. A instituição concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo dinheiro da previdência social. O bloqueio das contas de quase três milhões de clientes provocou protestos em Assunção e outras cidades do país.
O envolvimento de Peña com o banco passou a ser questionado por parlamentares depois da intervenção. O presidente foi acionista do grupo controlador da instituição até 2025, quando já ocupava o Palácio de López.
Acusações levaram à destituição de Peña
Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos favoráveis, a acusação que deu início ao processo de impeachment. Os parlamentares apontaram suspeitas de conflito de interesses e questionaram a aplicação de recursos públicos na instituição financeira.
Peña chegou a anunciar sua renúncia à Presidência, mas o Congresso não concluiu a análise do pedido por falta de quórum. Com isso, o julgamento político teve continuidade no Senado.
Antes da votação, o presidente solicitou um prazo adicional de 72 horas para preparar sua defesa. O pedido foi rejeitado pelos senadores. Seus advogados criticaram o procedimento e alegaram que não houve tempo suficiente para examinar as acusações e os documentos apresentados.
Peña negou ter cometido irregularidades. A destituição ocorre enquanto as autoridades paraguaias investigam possíveis responsabilidades pelo colapso do Ueno Bank e pela aplicação de recursos públicos na instituição.
Vice-presidente deverá assumir o comando do Paraguai
Com a saída de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, deverá assumir o comando do país e concluir o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.
A destituição também impede Peña de receber a condição de senador vitalício normalmente concedida a ex-presidentes paraguaios, com as prerrogativas associadas ao cargo.
O impeachment encerra a permanência de Peña na Presidência, mas não representa uma condenação criminal. As investigações sobre o escândalo bancário continuam, enquanto milhares de paraguaios cobram a liberação de seus recursos e a responsabilização dos envolvidos.
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