PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crimes financeiros

Ex-ministro prestou consultoria à OnilX, empresa de criptoativos processada por investidores que relatam dificuldades para resgatar dinheiro.

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Paulo Guedes, de óculos e terno escuro, fala e gesticula com uma das mãos diante de um fundo azul.
Paulo Guedes é investigado pela Polícia Federal por suspeita de crimes financeiros. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

A PF investiga Paulo Guedes, ex-ministro da Economia, e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi aberto em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná, com participação do Ministério Público Federal (MPF).

A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX, empresa que oferece serviços relacionados a criptoativos. Guedes prestou consultoria à companhia, participou de reuniões estratégicas e manteve contato com potenciais investidores. Sua imagem também foi utilizada em materiais de divulgação do negócio.

Investidores citam participação de Guedes em ações judiciais

Em um dos processos, um casal cobra R$ 876,5 mil da OnilX. Os autores afirmam que decidiram manter e ampliar as aplicações depois de participar de uma reunião com Guedes, em abril. Meses mais tarde, tentaram recuperar o dinheiro, mas não conseguiram efetuar o resgate, segundo o relato apresentado à Justiça.

Outra ação reúne mensagens em que uma assessora da empresa ofereceu a um possível cliente a oportunidade de conversar com o ex-ministro sobre estratégias de investimento. A própria OnilX também divulgou uma fotografia de Guedes ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, durante um encontro apresentado como estratégico.

CVM restringiu ofertas da empresa

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia adotado medidas contra a OnilX. Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. A decisão foi mantida em abril, quando a CVM esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.

Um levantamento citado nas informações sobre o caso identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre junho e setembro. Os processos incluem queixas de investidores que relatam dificuldades para sacar valores aplicados em criptomoedas e stablecoins, ativos digitais geralmente vinculados a moedas tradicionais. Alguns autores também levantaram suspeitas de funcionamento de uma pirâmide financeira.

A OnilX nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. A defesa de Paulo Guedes não respondeu aos questionamentos até a divulgação das informações. Como o inquérito tramita sob sigilo, não foram detalhadas publicamente as condutas atribuídas individualmente aos investigados.

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