“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.” Com essa declaração, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu uma carta divulgada nesta quarta-feira (28), já nos Estados Unidos. No documento, ele acusa a chapa Lula-Alckmin de abuso de poder, denuncia perseguição judicial e anuncia que liderará a oposição a partir do exterior.
Flávio rejeita o resultado do segundo turno de domingo (25), que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o senador, a eleição foi marcada por irregularidades que justificariam a cassação da chapa vencedora.
Flávio acusa fraude eleitoral e cobra cassação da chapa Lula-Alckmin
Na carta, Flávio classifica o resultado como uma fraude e questiona o aumento de mais de 10 milhões de votos obtidos por Lula entre o primeiro e o segundo turno. Ele também acusa o que chama de “ex-advogado do Lula” de ter permitido uma situação que descreve como uma “impossibilidade matemática”.
O senador critica ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar o horário de votação. Segundo sua versão, a medida ultrapassou a competência do TSE e chegou depois do encerramento do horário legal, quando as urnas já estariam fechadas. Flávio sustenta que a decisão submeteu eleitores a regras diferentes.
As acusações também alcançam a campanha presidencial. O parlamentar afirma que houve abuso de poder político e econômico e utilização da máquina pública em favor da reeleição de Lula. Ele defende que os episódios sejam tratados como fundamento para a cassação da chapa formada pelo presidente e pelo vice, Geraldo Alckmin.
Senador acusa perseguição judicial e explica saída do Brasil
Outro alvo da carta é o Judiciário. Flávio acusa um magistrado de ter iniciado medidas contra ele apenas sete minutos depois do desfecho eleitoral que considera fraudulento. O senador classifica a atuação como parte de uma perseguição política e afirma que a pressão judicial contra sua família começou com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em um dos trechos mais duros, o parlamentar acusa integrantes do Supremo de corrupção e afirma que a Corte estaria aparelhada por interesses políticos ligados ao PT. Ele também sustenta que as medidas judiciais buscam intimidar adversários e limitar a atuação da oposição.
Flávio afirma que não existe mandado de prisão contra ele. Ao tratar da situação de seus passaportes, descreve o que considera uma sequência de perseguição: apreensão dos documentos, monitoramento eletrônico, censura, prisão domiciliar, julgamento e condenação.
O senador disse que não pretendia deixar o Brasil, mas decidiu viajar com a mulher, Fernanda, e as duas filhas. Ao explicar a escolha, declarou: “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”. Segundo ele, a família está em segurança nos Estados Unidos.
Na manifestação, Flávio agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao governo dos Estados Unidos pelo acolhimento e pela segurança jurídica que afirma ter encontrado. Também dirigiu agradecimentos ao presidente argentino, Javier Milei.
Flávio promete liderar oposição e envia recado ao Congresso
O senador também se dirigiu a deputados, senadores e governadores aliados. Citou nominalmente Rogério Marinho (PL-RN), seu candidato à presidência do Senado, e afirmou que pretende assumir a articulação política dos apoiadores fora do território brasileiro.
“Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”
Para defender sua decisão de atuar no exterior, Flávio mencionou Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, que desenvolveram atividades políticas fora de seus países em diferentes momentos históricos. Também citou os venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
O parlamentar prometeu fazer pronunciamentos frequentes e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização de seus aliados e eleitores por meios que descreveu como pacíficos e legítimos.
Ao encerrar a carta, deixou uma mensagem aos apoiadores: “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro”.
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