O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou nesta quinta-feira (5) que vai enfrentar o processo de impeachment aberto contra ele no Congresso, mesmo depois de apresentar um pedido de renúncia ao cargo. A decisão ocorre em meio à crise provocada pela intervenção no Ueno Bank, instituição financeira com a qual o mandatário manteve vínculos empresariais.
Em publicação no X, Peña prometeu comparecer ao Senado e apresentar argumentos e provas em sua defesa. O presidente afirmou que exercerá esse direito mesmo considerando que os parlamentares já tenham antecipado sua decisão sobre o caso.
Peña também se comprometeu a colaborar com as investigações e fornecer as informações solicitadas pelas autoridades. Em sua manifestação, defendeu que os responsáveis por eventuais irregularidades sejam identificados e respondam à Justiça.
Crise bancária levou Congresso a abrir impeachment
A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou a acusação contra Peña por 78 votos, horas depois de o presidente apresentar sua renúncia. A votação do pedido de saída do cargo, porém, não avançou por falta de quórum, mantendo o mandatário formalmente na Presidência.
A denúncia, apresentada inicialmente por 35 deputados, acusa Peña de conflito de interesses por sua participação na Ueno Holding. Os parlamentares também questionam a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financeira Ueno, para comandar o Banco Central, além da concentração de recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) no banco.
O Ueno Bank entrou em processo de intervenção depois que o Banco Central do Paraguai constatou que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. A crise deixou correntistas sem acesso aos recursos e provocou protestos contra o governo.
Peña afirmou que a disputa sobre sua permanência no cargo não pode atrasar a devolução do dinheiro aos clientes da instituição financeira. O presidente pediu calma à população e prometeu respeitar o resultado do processo.
Com a acusação aprovada pela Câmara, cabe ao Senado julgar o pedido de impeachment. Para condenar Peña e destituí-lo, são necessários os votos de dois terços dos senadores.
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