Teresina - Piauí quinta-feira, 24 de setembro 35°C
Destaque / Política

Marina e Tebet ‘escondem’ Lula e Haddad; Prado e Salles duelam

Sete principais candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo participaram de debate | Foto: Divulgação/Estadão/Faap

O terceiro debate entre os principais candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo na noite desta quarta-feira, 23, foi novamente marcado por uma troca de ataques entre André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo) e pela tentativa de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) de “esconderem” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) das discussões. 

O encontro entre os postulantes às duas vagas de São Paulo em disputa no Senado Federal aconteceu na sede da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), na capital paulista. 

O debate contou com a participação de sete candidatos: Guilherme Derrite (PP), Prado, Tebet, Marina, Salles, Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos). 

O primeiro debate, na TV Bandeirantes, ocorreu no dia 9 de setembro. O segundo, do UOL e da Folha de S.Paulo, em 21 de setembro

Salles e Prado voltam a se enfrentar

Assim como já havia acontecido nos debates anteriores, o principal duelo do programa envolveu André do Prado e Ricardo Salles. O candidato do Partido Novo tentou associar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) à “corrupção do Centrão”. Salles acusou Prado de ser uma “marionete do Valdemar Costa Neto”, em alusão ao presidente nacional do PL. 

Segundo Salles, Valdemar “é conhecido no Brasil como uma das pessoas mais corruptas da política brasileira” e vai “mandar” no mandato de André do Prado caso o candidato do PL seja eleito. 

Em resposta, Prado afirmou que Salles responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um esquema de exploração ilegal de madeira na Amazônia. “Eu tenho 32 anos de vida pública e posso responder por mim: sou ficha limpa”, disse Prado. 

Crise no STF

A crise no STF deflagrada pela ligação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também esteve entre os assuntos discutidos no debate. Cabe ao Senado Federal decidir pela abertura de processos de impeachment contra ministros da Suprema Corte. 

Simone Tebet afirmou que os escândalos de corrupção estão “matando o futuro do país”. “A política brasileira não honra os 210 milhões de brasileiros. O que aconteceu é o que aconteceu quatro anos atrás, oito anos atrás. Nós temos hoje, sem discriminação, esquerda, direita ou centro”, disse a ex-ministra do Planejamento. 

Guilherme Derrite também comentou o caso Master e defendeu a abertura de processos de impeachment de ministros do STF. 

“É inadmissível que, com indícios de autoria e materialidade de ministros da Suprema Corte no maior escândalo da história recente do país, nós não tenhamos no mínimo um pedido de impeachment aberto, instaurado”, afirmou. “É inadmissível termos 109 pedidos de impeachment sendo engavetados pelo atual presidente”, completou Derrite, referindo-se ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). 

Fazendo coro a Derrite, André do Prado disse que Alcolumbre “não tem mais condições de presidir o Senado Federal”. “Por isso, é importante nós elegermos dois senadores que fazem parte do time do nosso governador Tarcísio de Freitas e do Flávio Bolsonaro”, defendeu. 

Segurança pública

A sensação permanente de insegurança da população paulista também foi um tema abordado durante o debate. Questionadas sobre seus planos para o Estado nessa área, Marina Silva e Simone Tebet falaram em promover uma maior integração entre as polícias Civil e Militar. 

“É combater o crime organizado de forma estruturante, e não apenas com atitudes que muitas vezes parece que se está resolvendo e não está”, afirmou a candidata da Rede. Tebet complementou: “Não vamos colocar os chefões do PCC e do Comando Vermelho na cadeia se nós não tivermos um serviço de inteligência e integração”. 

Bolsa Família

Os candidatos ao Senado também comentaram o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família, maior programa social do governo federal, anunciado por Lula às vésperas do primeiro turno das eleições. 

“O que precisa ser discutido é esse aumento no período pré-primeiro turno”, alertou Derrite, que se disse favorável à continuidade do programa. O candidato do PP defendeu ainda que sejam criados “gatilhos” para que os beneficiários do Bolsa Família prosperem e tenham condições de sair do programa futuramente e se sustentar por conta própria, com bons empregos e bons salários. 

Marina, por sua vez, rebateu a afirmação do adversário e observou que cerca de 700 mil pessoas já deixaram o Bolsa Família no Estado de São Paulo e que o reajuste de 15% ficou de acordo com a variação da inflação. 

Marina e Tebet ‘escondem’ Lula e Haddad

Apesar de defender o reajuste anunciado por Lula, Tebet e Marina evitaram mencionar muitas vezes o nome do presidente da República e também “esconderam” o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo do Estado. 

De acordo com as últimas pesquisas, Haddad pode ser derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, já no primeiro turno. 

Por outro lado, Guilherme Derrite e André do Prado, candidatos apoiados por Tarcísio, mencionaram o governador diversas vezes e prometeram atuar no Senado em parceria com o governo de São Paulo. 

Oito anos de mandato

Durante o debate, os candidatos foram questionados se, caso eleitos, cumpririam o mandato de oito anos no Senado até o final. Todos disseram que sim. 

“Eu sou um paulista autêntico, verdadeiro e muito orgulhoso de ser paulista. Não abro mão do meu mandato de jeito nenhum. Ser senador por São Paulo é uma honra”, afirmou Salles. 

Soninha Francine, por sua vez, também disse que ficará na cadeira até o final caso seja eleita. “Quero influenciar os rumos da política no país, das políticas públicas. O Senado é um dos principais lugares para isso”, comentou. 

Simone Tebet destacou que, quando foi senadora pelo Mato Grosso do Sul, entre 2015 e 2022, recebeu convites para ser ministra, mas não aceitou – só foi para o ministério em 2023, quando já estava sem mandato. “Se eleita for, permanecerei no Senado pelos próximos oito anos”, prometeu a candidata do PSB. 

Guilherme Derrite, que vem aparecendo numericamente à frente dos demais candidatos nas pesquisas de intenção de voto, afirmou que será “base” de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) e vai ajudá-lo a “implementar as políticas públicas necessárias, em especial as reformas que nós teremos que fazer”.

Marina Silva, que ocupou duas vezes o Ministério do Meio Ambiente em governos de Lula, também prometeu permanecer no Senado por oito anos se vencer a eleição. “O que eu tinha de fazer no Ministério do Meio Ambiente, eu já fiz. Agora estou pronta para ser senadora por São Paulo e pelo Brasil, para um novo ciclo de prosperidade que não deixe ninguém para trás.”

A disputa em São Paulo

Ao todo, 15 candidaturas foram homologadas para a eleição ao Senado Federal pelo Estado de São Paulo. Neste ano, serão duas vagas em disputa – os senadores Giordano (Podemos) e Mara Gabrilli (PSD) encerrarão seus mandatos no início de 2027. Eleito em 2022, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL) tem mandato até 2031.

Apesar da profusão de candidaturas, há cinco nomes considerados mais competitivos na corrida eleitoral em São Paulo – dois pela esquerda e três pela direita. São eles: Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo).

As ex-senadoras e ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva integram a chapa de Fernando Haddad ao governo do Estado, com apoio do presidente Lula. André do Prado e Derrite, por sua vez, compõem a coligação do governador Tarcísio de Freitas, com apoio de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Correndo por fora, sem apoio formal de Tarcísio, aparece o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo), também fortemente ligado ao campo conservador.

Fonte

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.