A dupla sertaneja Jorge e Mateus teve dois shows de réveillon cancelados em Fortaleza (CE) e Recife (PE) depois que o apoio de Jorge à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais provocou uma onda de críticas nas redes sociais. Os cancelamentos foram anunciados pelos prefeitos das duas capitais na noite de terça-feira (3).
A polêmica começou com a circulação de um vídeo gravado em 20 de outubro, durante um encontro de artistas sertanejos em Nerópolis, Goiás. Na ocasião, Jorge manifestou apoio a Flávio e cantou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”, em referência a um sucesso da dupla.
As imagens voltaram a circular depois das eleições. Internautas passaram a criticar a contratação dos sertanejos para as festas de fim de ano e cobraram das prefeituras a retirada da dupla da programação.
Prefeitos anunciam cancelamento dos shows
Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) afirmou que as negociações para contratar os artistas haviam começado meses antes. Segundo ele, a repercussão posterior desviou o foco da festa, levando ao cancelamento do contrato em comum acordo com a dupla e de forma legal.
A prefeitura informou que os cachês das atrações são custeados por patrocinadores privados, sem utilização de recursos municipais para essa finalidade.
No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) também retirou Jorge e Mateus da programação. O show estava marcado para 27 de dezembro. Um dia antes, o gestor havia defendido o respeito às diferenças políticas e a manutenção da apresentação. Na terça-feira, voltou atrás e afirmou que “não há mais clima” para manter os artistas na festa.
Jorge nega declarações ofensivas ao Nordeste
Depois dos cancelamentos, Jorge se pronunciou nesta quarta-feira (4) para negar comentários ofensivos ao Nordeste que passaram a ser atribuídos a ele nas redes sociais. O cantor afirmou que nunca fez tais declarações e destacou o carinho, a admiração e o respeito que tem pela região.
O sertanejo também esclareceu que sua manifestação política foi individual e não envolve Mateus nem a trajetória da dupla. Mateus não participou do encontro com Flávio Bolsonaro e não há confirmação de que tenha declarado o mesmo apoio.
Ao anunciar os cancelamentos, os prefeitos citaram a repercussão da polêmica em torno das contratações, sem apresentar como comprovadas as supostas ofensas atribuídas a Jorge.
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