A eleição presidencial de 2026 chega à decisão neste domingo (25) depois do primeiro turno mais apertado desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram separados por apenas 1,87 ponto percentual na votação de 4 de outubro. Pouco mais de 2,2 milhões de votos deram ao senador a vantagem inicial em uma disputa que agora será decidida diretamente entre os dois candidatos.
A distância é a menor registrada entre os dois primeiros colocados de uma eleição presidencial desde 1989. Até então, o primeiro turno mais equilibrado desse período havia sido o de 2022, quando Lula terminou à frente de Jair Bolsonaro por 5,23 pontos percentuais. Quatro anos depois, a diferença caiu para menos de dois pontos, alterando a posição do presidente na largada da etapa decisiva.
As pesquisas divulgadas entre quarta-feira (21) e sexta-feira (23) também mostram um cenário apertado. Em cinco levantamentos nacionais, Flávio aparece numericamente à frente em quatro, enquanto o Datafolha registra empate de 50% para cada candidato nos votos válidos. As diferenças variam de 1,2 a seis pontos percentuais.
Lula chega ao segundo turno atrás pela primeira vez em suas disputas vencedoras
Nas três eleições em que conquistou a Presidência, Lula terminou o primeiro turno à frente do adversário que enfrentaria na votação decisiva. O petista liderou contra José Serra, em 2002; Geraldo Alckmin, em 2006; e Jair Bolsonaro, em 2022.
Na eleição passada, Lula entrou no segundo turno com uma vantagem de 5,23 pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro. O intervalo diminuiu 3,43 pontos até a apuração final. Ainda assim, foi suficiente para garantir sua vitória.
Desde a volta das eleições presidenciais diretas, em 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter a ordem e vencer o segundo. O histórico registra o comportamento das disputas anteriores, mas não determina o resultado de 2026.
Mapa eleitoral mudou em mais de 700 cidades
A mudança também aparece na distribuição dos votos pelo país. Em 2022, Lula venceu o primeiro turno em 3.376 municípios, contra 2.191 de Jair Bolsonaro. Na votação de 2026, o presidente ficou à frente em 2.663 cidades, uma redução de 713 municípios em relação à eleição anterior.
Flávio, por sua vez, terminou o primeiro turno na liderança em 2.906 municípios, superando o número de cidades em que seu pai havia ficado à frente quatro anos antes.
Há outro dado relevante na comparação histórica. No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro conseguiu ultrapassar Lula em 253 municípios onde o petista havia vencido na primeira etapa. Lula não registrou virada equivalente em cidades que haviam dado maioria a Bolsonaro.
Minas Gerais ilustra a mudança do mapa eleitoral. Em 2022, o estado concentrou 66 municípios que passaram da liderança de Lula no primeiro turno para a de Jair Bolsonaro no segundo. Já na primeira votação de 2026, Flávio recebeu 48,24% dos votos válidos em Minas, contra 43,33% de Lula.
Cinco pesquisas mostram margens diferentes na reta final
A comparação dos levantamentos mais recentes ajuda a dimensionar as diferenças entre as sondagens. Os resultados abaixo correspondem exclusivamente aos votos válidos, sem brancos, nulos e indecisos, e foram divulgados entre 21 e 23 de outubro.
Levantamentos divulgados entre 21 e 23 de outubro de 2026
| Instituto | Divulgação | Flávio | Lula | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| Gerp | 21/10 | 53% | 47% | 6 pontos |
| PoderData/Aya | 22/10 | 51% | 49% | 2 pontos |
| Indexa/Broadcast | 22/10 | 50,6% | 49,4% | 1,2 ponto |
| Datafolha | 22/10 | 50% | 50% | Empate |
| Real Time Big Data | 23/10 | 52% | 48% | 4 pontos |
Percentuais de votos válidos. As pesquisas têm amostras e margens de erro próprias; a diferença numérica não equivale necessariamente a vantagem estatística. Tabela: 40graus, com dados dos institutos.
A Gerp apresentou a maior diferença entre os candidatos: 53% para Flávio e 47% para Lula. Já o Datafolha apontou igualdade numérica, com 50% para cada um. PoderData/Aya, Indexa/Broadcast e Real Time Big Data registraram vantagens numéricas para Flávio, mas dentro ou no limite dos intervalos considerados pelas respectivas margens de erro.
As pesquisas são fotografias das preferências declaradas durante a coleta de dados. Não representam votos efetivamente depositados nas urnas nem garantem o resultado do segundo turno.
O 40graus também acompanhou outro levantamento divulgado na reta final da disputa, ampliando a cobertura das pesquisas presidenciais de outubro.
Amostras, margens de erro e registros das pesquisas
Os cinco levantamentos apresentados informam amostras entre 2 mil e 4 mil entrevistados. As fichas técnicas, períodos de coleta, margens de erro e registros no Tribunal Superior Eleitoral são os seguintes:
- Gerp: 2.400 entrevistas de 19 a 21 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95,55%; registro BR-03835/2026.
- PoderData/Aya: 4.000 entrevistas de 19 a 21 de outubro; margem de erro de 1,6 ponto percentual; confiança de 95%; registro BR-07926/2026.
- Indexa/Broadcast: 2.000 entrevistas em 20 e 21 de outubro; margem de erro de 2,2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro BR-02348/2026.
- Datafolha: 2.154 entrevistas de 20 a 22 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro BR-09709/2026.
- Real Time Big Data: 2.000 entrevistas de 19 a 22 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro BR-09670/2026.
As entrevistas foram realizadas em datas diferentes e por institutos distintos. Por isso, oscilações entre os resultados não devem ser tratadas automaticamente como mudanças de voto ocorridas de um dia para o outro.
Neste domingo, Lula e Flávio Bolsonaro voltam a se enfrentar nas urnas. A diferença histórica do primeiro turno, o novo mapa de municípios e os resultados variados das pesquisas compõem o retrato de uma eleição cuja definição dependerá dos votos efetivamente apurados.
Comentários 0