Flávio e Lula chegam ao 2º turno após disputa mais apertada desde 1989

Flávio saiu 2,2 milhões de votos à frente no primeiro turno, e pesquisas da reta final variam de empate a seis pontos de vantagem.

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Flávio Bolsonaro faz gestos com as duas mãos enquanto Lula ergue os polegares no palco de debate da Globo.
Flávio Bolsonaro e Lula durante debate da Globo na reta final da disputa presidencial. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A eleição presidencial de 2026 chega à decisão neste domingo (25) depois do primeiro turno mais apertado desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram separados por apenas 1,87 ponto percentual na votação de 4 de outubro. Pouco mais de 2,2 milhões de votos deram ao senador a vantagem inicial em uma disputa que agora será decidida diretamente entre os dois candidatos.

A distância é a menor registrada entre os dois primeiros colocados de uma eleição presidencial desde 1989. Até então, o primeiro turno mais equilibrado desse período havia sido o de 2022, quando Lula terminou à frente de Jair Bolsonaro por 5,23 pontos percentuais. Quatro anos depois, a diferença caiu para menos de dois pontos, alterando a posição do presidente na largada da etapa decisiva.

As pesquisas divulgadas entre quarta-feira (21) e sexta-feira (23) também mostram um cenário apertado. Em cinco levantamentos nacionais, Flávio aparece numericamente à frente em quatro, enquanto o Datafolha registra empate de 50% para cada candidato nos votos válidos. As diferenças variam de 1,2 a seis pontos percentuais.

Lula chega ao segundo turno atrás pela primeira vez em suas disputas vencedoras

Nas três eleições em que conquistou a Presidência, Lula terminou o primeiro turno à frente do adversário que enfrentaria na votação decisiva. O petista liderou contra José Serra, em 2002; Geraldo Alckmin, em 2006; e Jair Bolsonaro, em 2022.

Na eleição passada, Lula entrou no segundo turno com uma vantagem de 5,23 pontos percentuais sobre Jair Bolsonaro. O intervalo diminuiu 3,43 pontos até a apuração final. Ainda assim, foi suficiente para garantir sua vitória.

Desde a volta das eleições presidenciais diretas, em 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu reverter a ordem e vencer o segundo. O histórico registra o comportamento das disputas anteriores, mas não determina o resultado de 2026.

Mapa eleitoral mudou em mais de 700 cidades

A mudança também aparece na distribuição dos votos pelo país. Em 2022, Lula venceu o primeiro turno em 3.376 municípios, contra 2.191 de Jair Bolsonaro. Na votação de 2026, o presidente ficou à frente em 2.663 cidades, uma redução de 713 municípios em relação à eleição anterior.

Flávio, por sua vez, terminou o primeiro turno na liderança em 2.906 municípios, superando o número de cidades em que seu pai havia ficado à frente quatro anos antes.

Há outro dado relevante na comparação histórica. No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro conseguiu ultrapassar Lula em 253 municípios onde o petista havia vencido na primeira etapa. Lula não registrou virada equivalente em cidades que haviam dado maioria a Bolsonaro.

Minas Gerais ilustra a mudança do mapa eleitoral. Em 2022, o estado concentrou 66 municípios que passaram da liderança de Lula no primeiro turno para a de Jair Bolsonaro no segundo. Já na primeira votação de 2026, Flávio recebeu 48,24% dos votos válidos em Minas, contra 43,33% de Lula.

Cinco pesquisas mostram margens diferentes na reta final

A comparação dos levantamentos mais recentes ajuda a dimensionar as diferenças entre as sondagens. Os resultados abaixo correspondem exclusivamente aos votos válidos, sem brancos, nulos e indecisos, e foram divulgados entre 21 e 23 de outubro.

Segundo turno: cinco pesquisas de votos válidos

Levantamentos divulgados entre 21 e 23 de outubro de 2026

Instituto Divulgação Flávio Lula Diferença
Gerp 21/10 53% 47% 6 pontos
PoderData/Aya 22/10 51% 49% 2 pontos
Indexa/Broadcast 22/10 50,6% 49,4% 1,2 ponto
Datafolha 22/10 50% 50% Empate
Real Time Big Data 23/10 52% 48% 4 pontos

Percentuais de votos válidos. As pesquisas têm amostras e margens de erro próprias; a diferença numérica não equivale necessariamente a vantagem estatística. Tabela: 40graus, com dados dos institutos.

A Gerp apresentou a maior diferença entre os candidatos: 53% para Flávio e 47% para Lula. Já o Datafolha apontou igualdade numérica, com 50% para cada um. PoderData/Aya, Indexa/Broadcast e Real Time Big Data registraram vantagens numéricas para Flávio, mas dentro ou no limite dos intervalos considerados pelas respectivas margens de erro.

As pesquisas são fotografias das preferências declaradas durante a coleta de dados. Não representam votos efetivamente depositados nas urnas nem garantem o resultado do segundo turno.

O 40graus também acompanhou outro levantamento divulgado na reta final da disputa, ampliando a cobertura das pesquisas presidenciais de outubro.

Amostras, margens de erro e registros das pesquisas

Os cinco levantamentos apresentados informam amostras entre 2 mil e 4 mil entrevistados. As fichas técnicas, períodos de coleta, margens de erro e registros no Tribunal Superior Eleitoral são os seguintes:

  • Gerp: 2.400 entrevistas de 19 a 21 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95,55%; registro BR-03835/2026.
  • PoderData/Aya: 4.000 entrevistas de 19 a 21 de outubro; margem de erro de 1,6 ponto percentual; confiança de 95%; registro BR-07926/2026.
  • Indexa/Broadcast: 2.000 entrevistas em 20 e 21 de outubro; margem de erro de 2,2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro BR-02348/2026.
  • Datafolha: 2.154 entrevistas de 20 a 22 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro BR-09709/2026.
  • Real Time Big Data: 2.000 entrevistas de 19 a 22 de outubro; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95%; registro BR-09670/2026.

As entrevistas foram realizadas em datas diferentes e por institutos distintos. Por isso, oscilações entre os resultados não devem ser tratadas automaticamente como mudanças de voto ocorridas de um dia para o outro.

Neste domingo, Lula e Flávio Bolsonaro voltam a se enfrentar nas urnas. A diferença histórica do primeiro turno, o novo mapa de municípios e os resultados variados das pesquisas compõem o retrato de uma eleição cuja definição dependerá dos votos efetivamente apurados.

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