Lula venceu nos nove Estados do Nordeste. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro (PL) saiu do primeiro turno com 10,4 milhões de votos na região — 1,6 milhão a mais que Jair Bolsonaro havia recebido em 2022. É nessa diferença que a diretora técnica da Futura Inteligência, Paula Orrico, enxerga um possível fator decisivo para o segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25).
A comparação expõe uma mudança no tamanho da votação bolsonarista em território historicamente favorável ao petista: Jair obteve cerca de 8,8 milhões de votos nordestinos no primeiro turno de 2022, enquanto Flávio chegou a 10,4 milhões neste ano. O crescimento foi de aproximadamente 18%, embora o filho do ex-presidente não tenha vencido em nenhum dos nove Estados da região.
No país inteiro, Flávio terminou a primeira votação com 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53,9 milhões, equivalentes a 45,16%. A diferença nacional foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, conforme os resultados eleitorais apresentados no material de referência.
O avanço de Flávio esbarra na liderança de Lula entre nordestinos
A fotografia mais recente do eleitorado nordestino, porém, mostra o tamanho da vantagem que Lula ainda conserva. Na pesquisa Futura Inteligência/100% Cidades para o segundo turno, o presidente alcança 62,5% das intenções de voto na região, contra 33,3% de Flávio Bolsonaro. A distância é de 29,2 pontos percentuais.
O mesmo levantamento aponta rejeição de 60% a Flávio no Nordeste, enquanto 31,9% dos entrevistados da região dizem não votar em Lula de jeito nenhum. São dados que impõem um limite à leitura de que o aumento de votos do candidato do PL já teria revertido a preferência regional pelo petista.
Paula Orrico vê outro sinal na comparação entre 2022 e 2026. Para ela, Lula permanece à frente entre mulheres e nordestinos, mas, em suas palavras, “o público fiel a ele vem diminuindo”. A pesquisadora também identifica maior receptividade a pautas conservadoras nesses segmentos. É uma avaliação da dirigente, não uma medição direta de migração de votos entre candidatos.
Futura registra empate técnico na reta final do segundo turno
Se o Nordeste continua amplamente favorável a Lula, o quadro nacional é de disputa apertada. Na pesquisa estimulada realizada de 19 a 20 de outubro, Flávio aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 46,8% de Lula. A diferença de 2,1 pontos percentuais está dentro da margem de erro geral de 2,2 pontos: trata-se de empate técnico.
Na conta que considera apenas os votos válidos, a Futura registra 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula. No universo total de entrevistados, 2% preferem voto branco, nulo ou nenhum candidato, e 2,3% ainda estão indecisos ou não responderam.
Futura/100% Cidades · 19 e 20 de outubro de 2026 · intenção de voto estimulada
A margem geral de erro é de ±2,2 pontos percentuais; o relatório não informa margem específica para a amostra regional. Gráfico: 40graus, com dados da Futura.
| Recorte | Candidato | Percentual |
|---|---|---|
| Nordeste | Lula | 62,5% |
| Nordeste | Flávio | 33,3% |
| Brasil | Flávio | 48,9% |
| Brasil | Lula | 46,8% |
A Futura ouviu 2.000 eleitores com 16 anos ou mais por telefone, usando entrevistas assistidas por computador (CATI). O instituto informa nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06614/2026. A margem de erro de 2,2 pontos é a referência nacional; a pesquisa não apresenta, no relatório fornecido, uma margem própria para o recorte do Nordeste.
Na modalidade espontânea — quando o entrevistado não recebe uma lista de nomes — Flávio também aparece numericamente à frente, com 47,2%, contra 46,1% de Lula. A vantagem de 1,1 ponto tampouco permite tratar a eleição como definida.
Entre as mulheres, a vantagem numérica se inverte: Lula tem 53,5% e Flávio, 42,3%. Entre os homens, o senador marca 56%, ante 39,5% do presidente. O levantamento mostra ainda Lula à frente na faixa de 16 a 24 anos, com 50,8% contra 47% de Flávio.
Mais de um quarto dos eleitores declara cansaço com a polarização
A mesma pesquisa traz outro dado para além das intenções de voto: 28,4% dos entrevistados dizem estar divididos ou cansados da polarização política. Outros 28% se identificam com o lado de Lula e 24,1% com o lado de Bolsonaro. O resultado evidencia um eleitorado que não cabe integralmente na disputa entre as duas campanhas.
Na análise que acompanha o relatório, José Orrico, identificado como diretor técnico da Futura, afirma que a disputa continua apertada e que a rejeição aos candidatos pesa sobre a decisão dos eleitores. O índice de rejeição é de 47,3% para Lula e 45,2% para Flávio no levantamento nacional.
O que os 1,6 milhão de votos a mais significam — e o que não provam
O ganho de aproximadamente 1,6 milhão de votos em relação a Jair Bolsonaro mostra o crescimento absoluto da votação bolsonarista no Nordeste de uma eleição presidencial para outra. Mas os números não demonstram, isoladamente, que esse contingente tenha deixado Lula: são candidatos distintos, em anos diferentes, com eleitorados e comparecimento que também podem mudar.
Paula Orrico interpreta o avanço no Nordeste, o desempenho nacional de Flávio no primeiro turno e o cenário de pesquisas como sinais favoráveis ao senador. Ela também menciona uma associação, percebida por parte do eleitorado, entre o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal. A previsão de Paula de que “a onda de direita deve ganhar” é uma avaliação política feita antes da votação, não um resultado antecipado.
A força eleitoral do Nordeste já havia entrado no discurso dos candidatos. O 40graus acompanhou declarações anteriores de Flávio sobre a região. Agora, o segundo turno colocará à prova se o crescimento obtido pelo senador no primeiro turno será suficiente para alterar a disputa nacional.
Confira os dados completos da Futura
O relatório da quarta rodada reúne os cenários nacional e regional, rejeição, distribuição por sexo e idade, além da metodologia da pesquisa. O documento está disponível para consulta abaixo, diretamente no 40graus.
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