O papa Leão XIV denunciou neste sábado (7) que crianças no Uruguai estão deixando de frequentar a escola por medo de não voltarem vivas para casa. A declaração foi feita durante um encontro com moradores de Casavalle, bairro de baixa renda na periferia de Montevidéu, onde o pontífice chamou atenção para a violência que ameaça famílias e comunidades.
“Não podemos passar ao largo quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltarem”, afirmou o papa.
Leão XIV também lamentou que, em um país tão rico em recursos, ainda existam mães sem condições de alimentar os filhos. Para o pontífice, nenhuma criança deveria passar fome ou ser privada de uma educação e de um futuro digno por causa da insegurança nas ruas. Muito menos perder a vida para a violência.
As declarações foram feitas durante uma visita à Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, onde o papa ouviu relatos de moradores sobre as dificuldades enfrentadas na comunidade.
A violência é um problema que atinge toda a América Latina. Segundo dados das Nações Unidas referentes a 2023, a taxa de homicídios na América Latina e no Caribe era quase quatro vezes superior à média mundial, a maior entre as regiões analisadas.
Papa condena indiferença diante da violência
Em seu discurso, Leão XIV recorreu à parábola bíblica do Bom Samaritano, que conta a história de um homem assaltado, espancado e abandonado à beira de uma estrada. Mesmo ferido, ele foi ignorado por pessoas que passaram pelo local antes de receber ajuda.
O pontífice comparou a passagem às situações de violência e insegurança que continuam ameaçando a paz dos bairros e a vida de seus moradores. Ele lamentou que, muitas vezes, a sociedade responda ao sofrimento das vítimas com a mesma indiferença demonstrada na parábola.
Leão XIV também reconheceu o trabalho de instituições e voluntários que ajudam famílias vulneráveis. Durante a visita, destacou uma iniciativa de construção de moradias para pessoas de baixa renda, realizada com apoio de benfeitores da Papal Foundation.
Ao encerrar sua mensagem, o papa defendeu uma atuação conjunta da Igreja, da sociedade civil e do Estado. Ele cobrou o abandono da apatia e a defesa do bem comum, ressaltando que o sofrimento de quem enfrenta a violência, a fome e a exclusão não pode continuar sendo ignorado.
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