O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pediu para falar com o então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, antes de uma reunião do ex-banqueiro com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em 19 de julho de 2025.
Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro mostram que Motta enviou uma mensagem por volta das 7h daquele dia. O parlamentar afirmou queria conversar “antes da reunião”.

Naquele dia, um sábado, Vorcaro e o sócio Augusto Lima se reuniram com Galípolo, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, e o então responsável pela área de regulação da autoridade monetária, Gilneu Vivan.
Conforme a agenda oficial do BC, o encontro ocorreu das 9h às 10h, em Brasília. Oficialmente, a reunião trataria da documentação necessária para a conclusão da venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Motta e Vorcaro trocaram ligações
Segundo a PF, depois de pedir para conversar com Vorcaro, Motta escreveu: “Me liga quando puder”. O então banqueiro telefonou no mesmo minuto. Segundo os registros, a chamada durou 1 minuto e 48 segundos.
No fim da tarde, Motta voltou a ligar para Vorcaro. A segunda conversa durou 2 minutos e 24 segundos. Naquele momento, o BC já analisava a situação financeira do Master e discutia internamente medidas que poderiam atingir a instituição.
O Master também era alvo de investigação relacionada à venda de carteiras de crédito ao BRB. Em 15 de julho de 2025, o BC havia comunicado ao Ministério Público Federal indícios de crimes contra o sistema financeiro relacionados às operações.
As mensagens mostram ainda que Vorcaro mantinha contato frequente com autoridades em Brasília. Em conversa anterior, chegou a afirmar que era “number 1” e “amigo irmão” de Motta.
Vorcaro reclamou de reuniões de Galípolo
Em outro episódio, revelado pelo portal Metrópoles, Vorcaro enviou a Motta, em 15 de agosto de 2025, uma imagem da agenda de Galípolo. O documento mostrava reuniões do presidente do BC com André Esteves, do BTG Pactual, e Joesley Batista, da J&F.
Vorcaro demonstrou incômodo com os encontros. Motta respondeu: “Luta meu irmão”. Na sequência, o então banqueiro enviou ao presidente da Câmara uma reportagem sobre o futuro do BC, em meio às discussões no Congresso Nacional sobre a autonomia financeira da instituição.
Na conversa, Vorcaro escreveu que era necessário “pegar por aqui”, em referência à proposta de autonomia do BC. Motta respondeu apenas: “Verdade”. Naquele período, o Master ainda negociava sua venda ao BRB e dependia de aprovação da autoridade monetária para concluir a operação.