Líder da esquerda equatoriana e rival de Noboa, Luisa González é presa

Ex-candidata é investigada por suspeitas de financiamento irregular; seu partido está suspenso das eleições locais de novembro.

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Luisa González, de camisa branca e óculos, entre dois policiais armados de uniforme preto e rosto coberto.
Luisa González aparece entre dois policiais armados após ser presa no Equador. Foto: Reprodução/X.

A líder da esquerda equatoriana Luisa González, derrotada pelo presidente Daniel Noboa nas eleições de 2023 e 2025, foi presa na madrugada desta quinta-feira (22), na província de Manabí, no Equador. A detenção ocorreu em Canuto, localidade rural onde ela cresceu, a pouco mais de cinco semanas das eleições locais do país.

A polícia de Manabí confirmou a prisão, mas não detalhou as circunstâncias da operação, realizada por agentes enviados de Quito. Na mesma madrugada, o Ministério Público anunciou três mandados de prisão cumpridos em Manabí e Pichincha para apresentação de acusações de lavagem de dinheiro à Justiça. O comunicado não identificou os detidos nem esclareceu se González estava entre os alvos desses mandados.

Luisa González de braços cruzados em uma residência, com policiais armados próximos.
Luisa González em uma residência, acompanhada por policiais armados no Equador. Foto: Reprodução/X.

Investigações sobre o financiamento da campanha

González é investigada por suspeitas de irregularidades no financiamento eleitoral. No caso Labirinto, o Ministério Público apura contribuições e despesas de publicidade na campanha presidencial de 2023, diante de inconsistências na origem dos recursos e na comprovação de sua procedência lícita.

Outra investigação, denominada Caja Chica, examina a suspeita de que dinheiro em espécie vindo da Venezuela tenha financiado a campanha de González em 2023. O procedimento envolve uma acusação de suposta organização criminosa para lavagem de dinheiro. As suspeitas não equivalem à comprovação dos crimes.

A disputa de 2023 foi convocada para completar o mandato de Guillermo Lasso. González perdeu para Noboa no segundo turno daquele ano e voltou a ser derrotada por ele no segundo turno de 2025.

Partido suspenso e críticas de Rafael Correa

Em março, o Tribunal Contencioso Eleitoral suspendeu o Revolução Cidadã, partido de González e do ex-presidente Rafael Correa, a pedido do Ministério Público. A legenda ficou impedida de concorrer nas eleições locais de 29 de novembro. González também foi inabilitada para a disputa e tentou, sem sucesso, viabilizar uma candidatura local em Manabí com apoio do Pachakutik, ligado à Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie).

O correísmo acusa o governo Noboa de perseguição política. Rafael Correa, que presidiu o Equador de 2007 a 2017 e é aliado político de González, criticou a prisão em publicações no X. Em uma delas, reagiu com a expressão “¡Ya basta!” — “Já basta!”, em português.

Em outras manifestações, Correa chamou os responsáveis pela prisão de “palhaços” e “miseráveis” e questionou a atuação do sistema de Justiça equatoriano. O ex-presidente colombiano Gustavo Petro também criticou o episódio, afirmando no X que o Equador havia se transformado em “uma verdadeira ditadura”.

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