A líder da esquerda equatoriana Luisa González, derrotada pelo presidente Daniel Noboa nas eleições de 2023 e 2025, foi presa na madrugada desta quinta-feira (22), na província de Manabí, no Equador. A detenção ocorreu em Canuto, localidade rural onde ela cresceu, a pouco mais de cinco semanas das eleições locais do país.
A polícia de Manabí confirmou a prisão, mas não detalhou as circunstâncias da operação, realizada por agentes enviados de Quito. Na mesma madrugada, o Ministério Público anunciou três mandados de prisão cumpridos em Manabí e Pichincha para apresentação de acusações de lavagem de dinheiro à Justiça. O comunicado não identificou os detidos nem esclareceu se González estava entre os alvos desses mandados.

Investigações sobre o financiamento da campanha
González é investigada por suspeitas de irregularidades no financiamento eleitoral. No caso Labirinto, o Ministério Público apura contribuições e despesas de publicidade na campanha presidencial de 2023, diante de inconsistências na origem dos recursos e na comprovação de sua procedência lícita.
Outra investigação, denominada Caja Chica, examina a suspeita de que dinheiro em espécie vindo da Venezuela tenha financiado a campanha de González em 2023. O procedimento envolve uma acusação de suposta organização criminosa para lavagem de dinheiro. As suspeitas não equivalem à comprovação dos crimes.
A disputa de 2023 foi convocada para completar o mandato de Guillermo Lasso. González perdeu para Noboa no segundo turno daquele ano e voltou a ser derrotada por ele no segundo turno de 2025.
Partido suspenso e críticas de Rafael Correa
Em março, o Tribunal Contencioso Eleitoral suspendeu o Revolução Cidadã, partido de González e do ex-presidente Rafael Correa, a pedido do Ministério Público. A legenda ficou impedida de concorrer nas eleições locais de 29 de novembro. González também foi inabilitada para a disputa e tentou, sem sucesso, viabilizar uma candidatura local em Manabí com apoio do Pachakutik, ligado à Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie).
O correísmo acusa o governo Noboa de perseguição política. Rafael Correa, que presidiu o Equador de 2007 a 2017 e é aliado político de González, criticou a prisão em publicações no X. Em uma delas, reagiu com a expressão “¡Ya basta!” — “Já basta!”, em português.
Em outras manifestações, Correa chamou os responsáveis pela prisão de “palhaços” e “miseráveis” e questionou a atuação do sistema de Justiça equatoriano. O ex-presidente colombiano Gustavo Petro também criticou o episódio, afirmando no X que o Equador havia se transformado em “uma verdadeira ditadura”.
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