EUA ameaçam retaliação ‘devastadora’ se UE limitar conexão de celulares com satélites da Starlink

Proposta europeia pretende reservar parte das frequências para empresas do bloco, reduzindo o espaço disponível à SpaceX.

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Elon Musk conversa com Donald Trump durante evento de lançamento de foguete da SpaceX, em novembro de 2024.
Donald Trump e Elon Musk acompanham um lançamento da SpaceX no Texas, em novembro de 2024. Foto: Brandon Bell/Getty Images.

Os Estados Unidos ameaçaram retaliar empresas europeias caso a União Europeia avance com um plano que pode restringir o acesso da Starlink, de Elon Musk, a frequências de comunicação por satélite. O embaixador americano junto ao bloco, Andrew Puzder, advertiu que as consequências para companhias da Europa poderão ser devastadoras.

A advertência foi feita em entrevista ao Financial Times, publicada no domingo (18). No centro da disputa está uma proposta da Comissão Europeia para reservar a empresas do continente parte do espectro de frequências utilizado na conexão direta entre smartphones e satélites. A medida reduziria o espaço disponível para concorrentes estrangeiras, incluindo companhias dos Estados Unidos e da China.

Puzder afirmou que as empresas europeias devem considerar a possibilidade de uma reação do governo de Donald Trump e seus efeitos econômicos. Para o embaixador, uma legislação destinada a prejudicar a competitividade americana não seria uma forma legítima de fortalecer a indústria europeia.

“Não se torna as empresas europeias mais competitivas ao tornar as empresas americanas menos competitivas.”

O diplomata também defendeu a qualidade e a confiabilidade dos produtos americanos nesse setor e criticou o que descreveu como uma tentativa de nivelar a concorrência pela mediocridade. Nas declarações divulgadas, não foram detalhadas as medidas que Washington poderia adotar contra as empresas europeias.

SpaceX alerta para possíveis consequências na Ucrânia

A proposta é discutida pela União Europeia sob o argumento de reforçar sua “soberania tecnológica”, em meio às tensões nas relações com o governo Trump. Ao reservar parte das frequências para empresas europeias, o bloco limitaria a disponibilidade do espectro para operadores estrangeiros, entre eles a SpaceX, responsável pela rede Starlink.

A empresa de Elon Musk já havia criticado a iniciativa. Segundo o alerta da SpaceX, a restrição poderia comprometer a conectividade utilizada pela Ucrânia na guerra contra a Rússia, por meio do Starshield, braço militar de sua rede de satélites.

O plano europeu ainda não foi apresentado como uma restrição em vigor. A reação americana, por enquanto, consiste em uma advertência sobre possíveis retaliações caso a proposta avance.

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