A Vale registrou lucro líquido de R$ 6,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, uma queda superior a 50% em relação aos R$ 14,6 bilhões informados para o mesmo período do ano passado. O balanço, referente aos meses de julho a setembro, foi divulgado pela mineradora na noite desta quinta-feira (29).
O lucro também ficou 6% abaixo do registrado no segundo trimestre deste ano. Já a receita de vendas somou R$ 54,4 bilhões, recuo de 4% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
Minério mais barato e custos maiores pressionaram os resultados
Segundo a Vale, o desempenho operacional mais fraco contribuiu para a redução do lucro. A geração de caixa foi afetada pela queda dos preços do minério de ferro no mercado internacional, pelo aumento dos custos de produção e de frete e pela valorização do real diante do dólar, que elevou despesas da operação brasileira.
Também pesaram os resultados negativos de empresas coligadas e negócios mantidos em parceria com outras companhias. Na área tributária, a mineradora informou um impacto desfavorável de US$ 276 milhões, relacionado a efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais de subsidiárias.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 17,095 bilhões. O valor representa uma redução de 28% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Preços mais altos do cobre e do níquel compensaram parcialmente as pressões sobre o desempenho da empresa.
Em mensagem aos acionistas, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a diversificação dos negócios, a estratégia de frete e os mecanismos de proteção financeira ajudaram a preservar as margens e sustentar a geração de caixa em um ambiente de mercado desfavorável.
Vale apresenta balanço das reparações de Brumadinho e Mariana
Além dos números financeiros, a Vale atualizou a situação dos acordos de reparação relacionados aos rompimentos de barragens em Minas Gerais. Em Brumadinho, onde o desastre de janeiro de 2019 matou 272 pessoas, a companhia informou que cerca de 84% dos compromissos previstos no acordo haviam sido cumpridos até setembro de 2026.
Segundo a mineradora, as obrigações financeiras classificadas como valores a pagar foram integralmente quitadas em outubro.
No caso de Mariana, onde o rompimento da barragem da Samarco matou 19 pessoas em novembro de 2015, o programa de reparação contabilizava R$ 83,8 bilhões desembolsados até 30 de setembro deste ano.
Até 20 de outubro, mais de 649 mil pessoas haviam recebido indenizações, das quais 322 mil pelo Programa Indenizatório Definitivo. O número de municípios que aderiram ao acordo chegou a 45, depois da entrada de outras 19 cidades em agosto.
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