Joanna Darck Carola Correia Lima, de 36 anos, foi eleita Personalidade do Ano de 2026 pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham). A homenagem reconhece uma trajetória que levou a pesquisadora piauiense aos laboratórios da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Antes de alcançar esse espaço na ciência, porém, ela precisou encontrar maneiras de ajudar a família sem abandonar os estudos.
O caminho até a carreira internacional teve dificuldades que Joanna conhece desde a infância. Ao recordar o que enfrentou, ela contou:
“Já moramos em fundo de igreja, já sofremos muito, já vendemos roupa, já vendemos pudim. Durante meus estudos, quando fiquei sem bolsa, trabalhei em restaurante em São Paulo.”
O trabalho fora da universidade foi parte da vida de quem buscava construir uma carreira científica sem contar sempre com os recursos necessários para estudar. Anos depois, a mesma piauiense que vendia pudins para ajudar em casa receberá uma distinção concedida por uma das principais entidades das relações institucionais e empresariais entre Brasil e Reino Unido.
De Cacimba Velha aos laboratórios de Oxford

Natural de Cacimba Velha, Joanna encontrou na Universidade Federal do Piauí (UFPI) o caminho para a formação científica. Graduou-se em Ciências Biológicas e deixou o estado para dar continuidade aos estudos em São Paulo.
Durante o mestrado e o doutorado, conquistou bolsas que permitiram ampliar sua experiência acadêmica além das fronteiras brasileiras. Passou três meses nos Estados Unidos e, em 2018, recebeu uma nova bolsa para desenvolver pesquisas na Universidade de Oxford, na Inglaterra.
Foi em Oxford que sua trajetória se cruzou com a de Peter Ratcliffe, cientista que receberia o Prêmio Nobel de Medicina de 2019. Joanna integrou a equipe ligada ao pesquisador, reconhecido por descobertas sobre a maneira como as células detectam a disponibilidade de oxigênio e se adaptam às mudanças dessa condição no organismo.
O trabalho premiado abriu caminhos para compreender mecanismos biológicos envolvidos em diferentes doenças. Para Joanna, a experiência também representou a continuidade de estudos sobre o tema que haviam começado ainda no Brasil. Quando Ratcliffe foi anunciado entre os vencedores do Nobel, ela destacou a importância de integrar sua equipe. A premiação foi concedida ao cientista e aos demais laureados, não à pesquisadora piauiense.
Joanna permaneceu alguns anos na Inglaterra antes de retornar ao Brasil, em 2026. Hoje, atua como jovem pesquisadora e orientadora na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), dando continuidade à carreira que começou com sua formação no Piauí.
O reconhecimento e a lembrança da mãe
Aos 36 anos, Joanna foi escolhida Personalidade do Ano após concorrer com outras três personalidades internacionais. A homenagem será entregue em 26 de novembro, no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro.
Ao saber do reconhecimento, a pesquisadora voltou o pensamento para os anos em que ainda precisava enfrentar as dificuldades da infância ao lado da mãe. Foi essa lembrança, mais do que os títulos acadêmicos conquistados, que apareceu em sua reação:
“Fiquei muito emocionada. De imediato pensei em todas as dificuldades da infância para estudar e viver com minha mãe”, afirmou Joanna.
Comentários 0