O governo do Reino Unido orientou a população nesta sexta-feira (23) a manter suprimentos de emergência para pelo menos três dias, diante do risco de ataques cibernéticos, ações terroristas e interrupções de serviços essenciais. A recomendação também prevê uma mochila com itens básicos para o caso de uma família precisar deixar sua casa repentinamente.
O kit de sobrevivência deve reunir água potável, alimentos que não precisem de refrigeração ou preparo, como enlatados e frutas secas, além de cobertores, sacos de dormir, lanterna, rádio a pilhas, dinheiro em espécie, medicamentos essenciais e cópias de documentos de identidade.
Ao defender a medida, o ministro britânico Wes Streeting mencionou situações em que ataques poderiam afetar o cotidiano das famílias, desde as operações das empresas até a disponibilidade de produtos nos mercados.
“Como reagiríamos se o sistema de pagamento do supermercado falhasse?”, questionou Streeting.
O ministro afirmou que as ameaças relacionadas à chamada guerra híbrida estão cada vez mais próximas da população. Para ele, ações de Estados hostis e organizações terroristas podem atingir serviços fundamentais sem a necessidade de um confronto militar convencional.
Cabos submarinos e abastecimento estão entre as preocupações
A segurança dos cabos submarinos é um dos pontos sensíveis para o Reino Unido. Essas estruturas sustentam a maior parte das comunicações internacionais do país, e uma interrupção poderia afetar o tráfego de internet e serviços que dependem de conexão.
Nesta semana, jornais britânicos divulgaram suspeitas de que embarcações pesqueiras russas estariam monitorando redes de cabos submarinos nas proximidades do território britânico. O relato não equivale a uma confirmação independente de espionagem.
O abastecimento de alimentos também preocupa. O Reino Unido importa aproximadamente metade dos produtos alimentícios que consome, condição que amplia sua exposição a interrupções no transporte internacional e nas cadeias de fornecimento.
O governo britânico relaciona o alerta ao ambiente de ameaças associado à guerra na Ucrânia, país que recebe apoio de Londres. A Rússia é mencionada como possível origem de ações hostis, mas a orientação não significa que exista um ataque iminente confirmado.
Campanha ensinará famílias a se preparar para emergências
Nos próximos meses, o governo pretende lançar uma campanha de informação chamada “Esteja Preparado”, com orientações para que os moradores organizem suprimentos e saibam como agir diante de uma interrupção prolongada dos serviços.
A iniciativa recebeu críticas por supostamente estimular o medo. Streeting respondeu que o objetivo é manter as pessoas “alertadas, não alarmadas”. A campanha também será acompanhada de uma defesa do aumento dos investimentos britânicos em segurança e defesa.
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