Falso investimento em criptomoedas leva a seis prisões no Piauí

Vítima perdeu R$ 250 mil após criminosos assumirem o controle de seu celular; operação mira 33 mandados no Piauí e em São Paulo.

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Dois agentes da Força Estadual do Piauí, com uniformes camuflados e coletes táticos, realizam buscas em um quarto com guarda-roupa aberto, cama, mochilas e ventilador.
Agentes da Força Estadual do Piauí realizam buscas em um imóvel durante a Operação Cripto-Quimera, que investiga golpes virtuais e lavagem de dinheiro e resultou em seis prisões no estado. Foto: SSP-PI/Divulgação.

Uma operação contra um grupo investigado por um golpe com falso investimento em criptomoedas resultou na prisão de seis pessoas no Piauí, nesta quarta-feira (28). A ofensiva, denominada Operação Cripto-Quimera, foi coordenada pela Polícia Civil de Goiás e contou com a participação da Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI). A investigação começou depois que uma vítima de Goiânia perdeu mais de R$ 250 mil ao permitir que supostos consultores financeiros acessassem seu celular remotamente.

A operação tinha como objetivo cumprir 14 mandados de prisão temporária e 19 de busca e apreensão em Parnaíba, no litoral piauiense, e em quatro municípios paulistas: Guarulhos, Osasco, Guarujá e São Paulo. No primeiro balanço divulgado pela SSP-PI, seis pessoas haviam sido presas no Piauí, onde os policiais também apreenderam celulares que serão examinados durante a investigação.

Golpe começou com invasão de perfil e falsa promessa de lucro

O caso que deu origem à investigação ocorreu em março de 2023, em Goiânia. Segundo a polícia, os suspeitos invadiram o perfil de uma rede social pertencente a uma pessoa do círculo de confiança da vítima. A conta passou a divulgar falsas oportunidades de investimento em criptomoedas, com promessas de ganhos elevados e imediatos.

Acreditando que a publicação fosse legítima, a vítima iniciou uma conversa pela rede social. Durante o contato, foi encaminhada a pessoas que se apresentavam como atendentes e supervisores de uma plataforma de investimentos.

Os interlocutores convenceram a vítima a instalar um aplicativo de assistência e acesso remoto, sob a justificativa de que o programa seria necessário para configurar uma carteira digital. Depois de obterem acesso ao aparelho, os suspeitos passaram a realizar transferências bancárias.

Em apenas 24 horas, foram movimentados R$ 477.083,79. Parte do dinheiro, R$ 226.978,46, acabou estornada. O prejuízo efetivo ficou em R$ 250.105,33, conforme o levantamento policial.

Dinheiro passava por empresas de fachada e contas em diferentes estados

O rastreamento das transferências levou os investigadores a identificar uma estrutura de movimentação financeira destinada, segundo a polícia, a dificultar a identificação dos beneficiários e da origem dos valores. O esquema suspeito de lavagem de dinheiro foi dividido pela investigação em três etapas.

Na primeira, chamada de colocação, os recursos chegavam a contas bancárias vinculadas principalmente a empresas recém-criadas ou de fachada, utilizadas para dar aparência de legitimidade às operações.

Em seguida, na fase de estratificação, o dinheiro era fragmentado e transferido rapidamente para uma segunda rede de beneficiários distribuídos por diferentes estados. Entre as pessoas identificadas nesse fluxo financeiro, havia indivíduos com registros criminais anteriores por tráfico de drogas, roubo majorado, receptação e estelionato.

A etapa final, denominada integração, envolvia dezenas de transações de pequeno valor, transferências circulares entre integrantes do grupo, movimentações por contas de estabelecimentos comerciais e saques rápidos em dinheiro. Para os investigadores, a combinação dessas operações buscava tornar mais difícil o rastreamento dos recursos.

Justiça poderá atingir bens para ressarcir prejuízo

Além das prisões e buscas, a Operação Cripto-Quimera prevê o sequestro judicial de bens e valores de aproximadamente R$ 250 mil, quantia relacionada ao prejuízo sofrido pela vítima. A finalidade da medida é preservar patrimônio que possa ser utilizado para recuperar os recursos desviados.

O comunicado da SSP-PI não informa que todo esse montante já tenha sido localizado ou efetivamente bloqueado. Também não apresenta um balanço consolidado de prisões realizadas nos municípios paulistas.

Conforme a participação individual identificada ao longo das investigações, os suspeitos poderão responder por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Operação reuniu policiais de Goiás, Piauí e São Paulo

A ação foi coordenada pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de Goiás. Participaram também a Polícia Civil do Piauí, por meio da Superintendência de Operações Integradas (SOI) e da Delegacia Seccional de Parnaíba, além da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta, destacou a necessidade de cooperação entre as forças policiais para enfrentar organizações que atuam em diferentes estados.

“A integração entre as forças de segurança é essencial para combater grupos criminosos que utilizam ferramentas digitais para aplicar golpes e movimentar recursos ilícitos.”

Os aparelhos celulares recolhidos no Piauí serão submetidos à análise para identificar informações relevantes sobre a atuação dos investigados e subsidiar outras diligências. A apuração continua sob coordenação da Polícia Civil de Goiás.

 

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