Uma entrevista sobre programas sociais virou alvo de um ataque racista ao vereador Enzo Samuel (PV), presidente da Câmara Municipal de Teresina. Em um comentário publicado no Instagram, um perfil fez referência à época da escravidão para afirmar que compraria o parlamentar. Enzo denunciou a ofensa na quinta-feira (22), registrou um boletim de ocorrência e anunciou que buscará a responsabilização do autor.
A mensagem apareceu em um vídeo compartilhado pelo programa que havia entrevistado o vereador. No comentário, o perfil escreveu: “se fosse no ano de 1700 eu compraria esse negão”.
“Racismo não é opinião, é crime”, reage Enzo Samuel
Ao reagir ao ataque, Enzo afirmou que o direito de discordar de suas posições políticas não autoriza ataques discriminatórios.
“Todos tem o direito de discordar e expressar seus posicionamentos, mas isso não dá o direito de atacar ou discriminar outra pessoa. Racismo não é opinião, é crime.”
O vereador também reafirmou o orgulho de sua origem e de sua identidade racial. “Tenho muito orgulho de onde vim e tenho muito orgulho de ser negro”, declarou.
“Diante da gravidade do ocorrido, adotarei todas as medidas cabíveis para que o responsável responda por seus atos perante a Justiça. Nenhuma manifestação de racismo pode ser normalizada.”
Por que a referência à escravidão é racista
A menção ao ano de 1700 remete ao período em que pessoas negras eram escravizadas e tratadas como propriedade, sujeitas à compra e venda. Ao afirmar que compraria Enzo Samuel, o comentário reproduz essa lógica de desumanização para atacar o vereador por sua cor.
O racismo não se limita à exclusão de pessoas de espaços ou oportunidades. Também pode ocorrer por meio de palavras, ofensas e manifestações que inferiorizem alguém por sua raça ou cor. No Brasil, essas condutas podem configurar crime, inclusive quando praticadas em comentários nas redes sociais.
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