O Flamengo passou 180 minutos diante do Estudiantes sem marcar um único gol e acabou eliminado da Libertadores na disputa de pênaltis, na noite de quinta-feira (22), no Maracanã. Nem a superioridade numérica durante quase todo o segundo tempo foi suficiente para tirar o time de Leonardo Jardim da inércia ofensiva. Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique desperdiçaram suas cobranças, e o goleiro Muslera garantiu a classificação argentina à final.
Favorito pelo investimento e pela força de seu elenco, o clube carioca não conseguiu transformar essa vantagem em futebol. Foram dois empates por 0 a 0, com poucas oportunidades claras e enorme dificuldade para superar a marcação do adversário. O Estudiantes, tecnicamente inferior, soube fechar os espaços e executar sua estratégia durante os dois confrontos.
O problema já havia aparecido no empate sem gols na Argentina. Bruno Henrique quase não participou das jogadas de ataque, e o Flamengo terminou a primeira partida sem conseguir ameaçar efetivamente o gol rival. No Maracanã, Pedro apareceu em duas oportunidades na primeira etapa, mas também passou longos períodos sem participação decisiva. Os pontas não produziram, e o meio-campo não encontrou soluções.
Nem com um jogador a mais o Flamengo conseguiu pressionar
O cenário parecia favorável quando Baltasar Rodríguez, do Estudiantes, foi expulso aos quatro minutos do segundo tempo. Com um homem a mais e o apoio da torcida no Maracanã, o Flamengo tinha a oportunidade de aumentar a pressão. O que se viu, porém, foi uma equipe com a posse de bola, mas sem criatividade para romper a defesa argentina.
Léo Pereira insistiu em cruzamentos que não encontraram destino, enquanto o Estudiantes manteve suas linhas fechadas, apostou no jogo físico e administrou a passagem do tempo. A superioridade numérica não se converteu em volume de oportunidades.
As decisões de Leonardo Jardim também pesaram. O treinador começou com Pedro no lugar de Bruno Henrique e manteve Paquetá na função de camisa 10, formação que não conseguiu dar fluidez ao ataque. Mesmo depois da expulsão, esperou até os 18 minutos para colocar Arrascaeta no lugar de Carrascal.
A mudança mais ofensiva veio apenas aos 35 minutos, quando Bruno Henrique, Plata e Ayrton Lucas substituíram Pulgar, Lino e Alex Sandro. Só então o Flamengo encontrou seus melhores momentos de ataque no segundo tempo: Plata teve a chance mais clara, e Paquetá também levou perigo ao gol defendido por Muslera.
Três pênaltis perdidos encerram a campanha
Depois de dois jogos sem gols, a vaga na final foi decidida nas penalidades. Jorginho, Paquetá e Bruno Henrique falharam diante de Muslera, que se tornou decisivo justamente depois de passar praticamente toda a semifinal sem precisar fazer grandes defesas.
A eliminação expôs um problema que foi além das cobranças desperdiçadas. O Flamengo teve 180 minutos para superar o Estudiantes, conhecia o estilo do adversário e, mesmo assim, não conseguiu encontrar uma maneira consistente de atacar. A equipe argentina avançou porque executou melhor seu plano de jogo, apesar da diferença técnica entre os elencos.
Fora da Libertadores, o Flamengo passa a concentrar suas atenções no Campeonato Brasileiro, com pressão ainda maior pela conquista do título. A boa atuação diante do Bahia, no fim de semana anterior, mostrou um futebol muito diferente daquele apresentado nos dois confrontos com o Estudiantes. É esse rendimento que Leonardo Jardim precisará recuperar na reta final da temporada.
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