Correios esperam R$ 7 bilhões de bancos com União como fiadora

Novo financiamento é previsto para esta semana; se a estatal não pagar a dívida, a responsabilidade será do governo federal.

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Fachada de uma unidade dos Correios com vários veículos amarelos de entrega estacionados em frente, incluindo uma van elétrica com as portas abertas.
Veículos elétricos dos Correios estacionados diante de uma unidade da estatal, que aguarda a liberação de um empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. Foto: Divulgação.

Os Correios esperam receber ainda nesta semana um empréstimo de R$ 7 bilhões de bancos privados, com garantia do Tesouro Nacional. Técnicos do Ministério da Fazenda trabalham com a previsão de liberação dos recursos após a eleição presidencial de domingo (25), que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva. Se a estatal não conseguir pagar a dívida, a União terá de assumir o compromisso com os bancos.

A expectativa de liberação não significa que o dinheiro já tenha sido repassado. O financiamento integra o plano de recuperação de uma empresa que acumulou prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e perdeu outros R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

Empréstimo prevê 15 anos de prazo e juros acima do CDI

A proposta foi apresentada por um grupo formado por Citibank, JP Morgan, Deutsche Bank e Banco ABC Brasil. O financiamento terá custo equivalente a 114,26% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa de referência do mercado financeiro que acompanha de perto a Selic.

As condições informadas para a operação preveem prazo de 15 anos e carência de 36 meses para o início do pagamento de juros e da amortização do principal. O 40graus já havia acompanhado a previsão de contratação desse empréstimo.

Em ofício encaminhado ao Ministério da Fazenda, os Correios defenderam a escolha do grupo de bancos. Segundo a estatal, a oferta “mostrou-se a alternativa mais vantajosa para os Correios”, considerando o custo financeiro, o prazo, a estrutura de pagamento e as necessidades da empresa.

Estatal já recebeu R$ 12 bilhões em financiamento garantido pelo Tesouro

O novo crédito será a segunda operação bilionária dos Correios com garantia federal em menos de um ano, caso seja liberado nas condições previstas. Em dezembro de 2025, o Tesouro Nacional avalizou um empréstimo de R$ 12 bilhões concedido por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander.

Na ocasião, os recursos foram destinados a recompor o caixa, regularizar compromissos financeiros e normalizar as entregas. Agora, a estatal busca mais dinheiro emprestado enquanto tenta reverter uma sequência de resultados negativos.

A garantia do Tesouro não equivale a um desembolso imediato do governo federal. Ela representa, porém, uma obrigação para a União caso os Correios deixem de honrar o financiamento.

Plano prevê cortes, parcerias privadas e mais R$ 6 bilhões em 2027

Além da contratação do empréstimo, a direção dos Correios prevê um programa de desligamento voluntário, a automatização da logística, o fechamento de unidades e a ampliação de parcerias com empresas privadas. A meta anunciada é voltar a registrar lucro no fim de 2027.

O plano financeiro também considera um aporte de R$ 6 bilhões em recursos públicos. A quantia foi incluída pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, e a equipe econômica afirma que pretende assegurar o repasse.

Esse aporte é uma medida distinta dos empréstimos bancários. A previsão orçamentária não significa que os R$ 6 bilhões já tenham sido transferidos à empresa.

Por enquanto, os técnicos da Fazenda aguardam a liberação do novo financiamento de R$ 7 bilhões, prevista para esta semana. Não há, nas informações divulgadas até esta quarta-feira (28), confirmação de que o valor tenha entrado no caixa dos Correios.

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