Cânion do Rio Poti guarda marcas de povos antigos entre paredões de pedra

Moradores conhecem os caminhos e a história do vale, enquanto o turismo abre oportunidades de renda em três municípios do Piauí.

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Rio Poti entre paredões rochosos, sob céu azul com pequenas nuvens.
Paredões rochosos cercam o Rio Poti no interior do Piauí. Fotos: Renato Andrade e Maria Elvira.

O Rio Poti corre entre enormes paredões de pedra, mas a paisagem do cânion guarda uma história que não se revela apenas pela beleza das rochas. Pinturas e gravuras rupestres registram a presença de povos antigos no vale, enquanto comunidades de Buriti dos Montes, Castelo do Piauí e Juazeiro do Piauí preservam conhecimentos sobre os caminhos e as transformações da região.

Parte desse território integra o Parque Estadual Cânion do Rio Poti, em Buriti dos Montes. Criada em 18 de outubro de 2017, a unidade de conservação tem aproximadamente 24,7 mil hectares e protege ambientes da Caatinga, recursos hídricos, formações geológicas e patrimônio arqueológico. Os atrativos turísticos também alcançam os outros dois municípios.

Vista aérea do Rio Poti entre paredões de rocha, com vegetação nas margens.
Vista aérea mostra o Rio Poti entre paredões do cânion. Fotos: Renato Andrade e Maria Elvira.

Nas rochas, vestígios dos antigos habitantes do vale

As pinturas rupestres e as gravuras conhecidas como petróglifos testemunham a ocupação humana do vale em épocas antigas. A visita orientada aos sítios permite conhecer esses registros e compreender por que sua preservação é indispensável.

O ecologista, jornalista e mestrando em Arqueologia Dionísio Carvalho defende a participação dos moradores na apresentação desse patrimônio. Além de conhecerem os percursos, eles conservam histórias das comunidades e acompanham as mudanças da paisagem. Sobre o valor educativo dos sítios, ele afirmou:

Quando o visitante entende o valor desses sítios, o passeio ganha outra dimensão.

Dionísio Carvalho segura e aponta um mapa ilustrado do Cânion do Rio Poti.
O ecologista Dionísio Carvalho apresenta um mapa dos atrativos do cânion. Fotos: Renato Andrade e Maria Elvira.

A arqueologia também amplia o alcance educativo dos roteiros. Estudantes e grupos interessados na história do Piauí podem conhecer sítios arqueológicos, formações rochosas e ambientes da Caatinga, em passeios que associem a visita à conservação do patrimônio.

Turismo pode ampliar a renda de quem vive na região

O potencial econômico do cânion depende da ligação entre os passeios e os serviços locais. Hospedagens, restaurantes, transporte e profissionais que conduzem visitantes podem se beneficiar de roteiros mais completos, que incluam a culinária e os saberes tradicionais das comunidades.

O secretário estadual do Turismo, Daniel Oliveira, defendeu essa integração ao afirmar que “precisamos conectar os atrativos aos serviços da região”. A proposta é estimular estadias mais longas e ampliar o consumo nos empreendimentos do território, distribuindo as oportunidades econômicas.

Em agosto de 2025, foi anunciada uma capacitação destinada a 37 moradores da região para atuar na condução de visitantes no parque. A formação teve participação da empresa júnior do curso de Turismo da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), com foco em segurança, conservação e turismo de base comunitária. A Secretaria de Estado do Turismo (Setur) também articula ações com os municípios e empreendedores locais para fortalecer os roteiros.

Mapa gratuito e regras para visitar o cânion

Um mapa interativo gratuito do Cânion do Rio Poti, desenvolvido com apoio do Sietur, reúne os pontos de interesse e facilita a organização dos percursos pelos três municípios.

Entre outros atrativos da região está a Pedra do Castelo, em Castelo do Piauí, que também reúne formações rochosas e pinturas rupestres.

Dentro do parque estadual, a visita aos atrativos exige guia ou condutor autorizado. Os visitantes devem consultar previamente as áreas permitidas, as condições de segurança e as regras de visitação.

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