Teresina - Piauí sexta-feira, 28 de agosto 34°C
Destaque / Política

Calçados têm déficit inédito e setor prevê perda de empregos

A indústria brasileira de calçados registrou, em julho, o primeiro déficit mensal na balança comercial desde 1997. As importações superaram as exportações em US$ 3,6 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O resultado interrompe o histórico de saldo positivo do setor. Em fevereiro de 2006, o superávit chegou a US$ 193 milhões. No acumulado de 12 meses até julho, a balança ainda registra saldo positivo de US$ 276,3 milhões, mas no menor nível da série histórica.

O desempenho é resultado da queda nas exportações e do avanço dos calçados importados, sobretudo de países asiáticos. A indústria também enfrenta menor consumo no mercado interno, pressionado pelos juros elevados e pelo endividamento das famílias.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), o aumento das importações já impediu a criação de quase 8 mil empregos diretos no primeiro semestre de 2026.

No mesmo período, foram abertas cerca de 1,1 mil vagas formais no setor, conforme dados do Ministério do Trabalho. O número representa uma queda de 86,9% em relação aos primeiros seis meses de 2025.

“A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro, muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial de Comércio (OMC)”, afirma o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

Exportações perdem espaço nos EUA e na Argentina

Os dois principais mercados externos do calçado brasileiro registraram queda nas compras.

Nos Estados Unidos, destino de cerca de 20% das receitas externas do setor, as vendas caíram de US$ 135,1 milhões, entre janeiro e julho de 2025, para US$ 101,5 milhões no mesmo período de 2026. A retração foi de 24,9%.

Na Argentina, responsável por aproximadamente 10% do faturamento externo, a queda chegou a 60,3% no mesmo intervalo.

A situação foi agravada pelo aumento das tarifas norte-americanas. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) aplicou uma sobretaxa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. No dia seguinte, anunciou mais 12,5%, alegando investigações relacionadas a trabalho forçado.

Com isso, a sobretaxa sobre os calçados brasileiros chegou a 37,5%.

A Abicalçados tentou impedir a aplicação das tarifas. A gerente de relacionamento da entidade, Letícia Masselli, participou de audiência em Washington, em 7 de julho, para defender o setor.

Fonte

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.