O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sinalizou à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28) que pretende buscar um acordo de colaboração premiada. O banqueiro prestou depoimento por videoconferência, diretamente da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a Papudinha, onde está preso preventivamente.
A oitiva ocorreu no inquérito que apura a atuação de ex-servidores do Banco Central durante o período de crise do Banco Master. Vorcaro foi questionado sobre a relação mantida com os ex-integrantes da autarquia e negou que eles tenham cometido irregularidades.
Em nota, a defesa afirmou que o banqueiro respondeu aos questionamentos dos investigadores “de forma clara e consistente”, acrescentando que “não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso”.
Segundo os advogados, Vorcaro também manifestou disposição para ampliar sua colaboração com as autoridades. “Daniel externou, ainda, sua plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar”, informou a defesa.
A manifestação não representa, neste momento, a formalização de um acordo de delação. Uma eventual colaboração depende da análise e da concordância das autoridades responsáveis pela investigação.
O depoimento desta sexta-feira havia sido adiado após problemas técnicos na conexão utilizada para a videoconferência. A defesa também havia pedido prazo para acessar os autos antes da realização da oitiva.
A investigação apura, entre outros pontos, a proximidade entre Vorcaro e ex-integrantes do Banco Central enquanto o Master enfrentava dificuldades financeiras e era submetido à fiscalização da autoridade monetária.
O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025. Na ocasião, o Banco Central apontou o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, a deterioração da liquidez e o descumprimento de normas do sistema bancário.