O psiquiatra e escritor Augusto Cury, candidato do Avante à Presidência da República, ganhou mais de 2,24 milhões de seguidores no Instagram nos últimos 5 dias. O crescimento, de acordo com a CNN Brasil, entrou no radar das campanhas adversárias, que classificam o movimento como “incomum” e “estranho”.
Integrantes das equipes de outros presidenciáveis afirmam à emissora que, caso sejam identificadas irregularidades, o caso poderá ser levado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O salto ocorreu após o debate da Band, realizado no domingo (23). Naquele dia, Cury tinha 8,3 milhões de seguidores. Na terça-feira, eram 8,5 milhões. A alta acelerou na quarta (26), quando o candidato ganhou quase 690 mil seguidores. Na quinta-feira (27), foram mais 1,2 milhão.
Apenas na primeira hora desta sexta-feira, outros 146 mil seguidores foram registrados, segundo a plataforma Social Blade, consultada pela CNN.
Entre domingo e quarta, Cury ficou em segundo lugar no ranking mundial de perfis que mais ganharam seguidores no Instagram. Ficou atrás apenas do perfil da cantora americana Dolly Parton, que morreu na última terça (25). Em 3º apareceu Lito Sousa, especialista em aviação que ganhou repercussão nas redes após revelar o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob.
As campanhas adversárias também monitoram, de acordo com a emissora, a multiplicação de vídeos sobre Cury. Parte do conteúdo é produzida por influenciadores sem relação com política. Outro ponto monitorado é a origem dos virais. Em vez de cortes de falas de Cury, como trechos do debate da Band, aparecem vídeos de pessoas endossando diretamente a candidatura.
As campanhas acompanham ainda os horários de entrada de novos seguidores, inclusive durante a madrugada, e as buscas pelo nome do candidato fora do Brasil. Segundo o Google Trends, houve um pico de buscas por Augusto Cury na Índia a partir de quarta-feira.
À CNN Brasil, o marqueteiro Sérgio Lima, responsável pela campanha de Cury, negou ter inflado artificialmente o número de seguidores ou pago por engajamento. Segundo Lima, a campanha tinha uma estratégia de crescimento voltada para a própria base do escritor, que é um best-seller e já somava 8 milhões de seguidores.
“O crescimento é público. Pode acionar a Meta que ela expõe os dados. Mais de 96% dos nossos seguidores estão no Brasil”, disse Lima à emissora. “Não tem robô. Pode fazer uma auditoria nos comentários”, desafiou. Entre segunda (24) e quinta, o perfil no Instagram, segundo o marqueteiro, somou 854 mil comentários.