A participação do presidente Lula na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, já acumula R$ 3,2 milhões em pagamentos para hospedagem da delegação brasileira, conforme documentos oficiais obtidos e analisados por Oeste.
Registros de execução de despesas do governo federal mostram quatro pagamentos ao Hyatt Grand Central New York e ao Park Lane Hotel. Somados, os repasses localizados pela reportagem chegam a R$ 3.232.523,55 – o montante não representa o custo final da missão brasileira em Nova York, pois as despesas ainda não foram concluídas, segundo o Itamaraty.
Hyatt recebeu R$ 2,2 milhões

Dos valores identificados pela Revista Oeste, R$ 2.217.655,99 foram pagos ao Hyatt Grand Central New York.
A reportagem encontrou dois pagamentos destinados ao estabelecimento. O primeiro foi de R$ 913.655,98. O segundo chegou a R$ 1.304.000,01.
Os documentos vinculam as despesas à Delegação do Brasil junto às Nações Unidas, unidade do Ministério das Relações Exteriores. Os registros descrevem os gastos como hospedagem da delegação brasileira em Nova York durante a 81ª Assembleia-Geral.
Outros R$ 1.014.867,56 foram destinados ao Park Lane Hotel. Nesse caso, os documentos mostram pagamentos de R$ 507.824,60 e R$ 507.042,96.

Um dos empenhos relativos ao Park Lane registra expressamente que a despesa se destinava à “hospedagem da delegação brasileira em razão da visita presidencial a Nova York, por ocasião da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas”.
Os registros públicos analisados até o momento não detalham quantas pessoas foram hospedadas, quantos quartos foram reservados nem quantas diárias foram contratadas. Por isso, ainda não é possível calcular o custo por hóspede, quarto ou noite.
Lula ficou em residência oficial
Os R$ 3,2 milhões identificados pela reportagem não incluem despesas com a hospedagem do próprio presidente, conforme disse o Itamaraty à reportagem.
“O presidente da República se instalou, como é de conhecimento público, na Residência do Representante Permanente do Brasil junto à ONU, sem custos de hospedagem ao erário”, afirmou o ministério.
Assim, os pagamentos identificados no Hyatt e no Park Lane não podem ser atribuídos à hospedagem de Lula. Os documentos consultados descrevem a finalidade das despesas como hospedagem da delegação brasileira, mas não apresentam, nos registros analisados, a relação nominal dos hóspedes.
Valor de hospedagem supera o registrado em 2025
O montante parcial identificado neste ano já permite uma comparação com a edição anterior da Assembleia Geral. Em setembro de 2025, durante a 80ª Assembleia Geral, dados disponíveis naquele momento no Portal da Transparência apontavam R$ 4,31 milhões em despesas com a delegação que acompanhou Lula diretamente. Desse total, cerca de R$ 2,8 milhões correspondiam à hospedagem e R$ 1,5 milhão ao aluguel de veículos. Na ocasião, a delegação reunia pelo menos 110 pessoas.
Os números de 2025 foram posteriormente atualizados.
Documentação obtida junto ao Itamaraty apontou R$ 2,92 milhões em gastos com hospedagem da delegação brasileira em Nova York naquele ano.
Isso significa que os R$ 3,23 milhões já identificados em hospedagem em 2026 superam em pouco mais de R$ 312 mil o valor de R$ 2,92 milhões registrado para hospedagem no evento de 2025, uma diferença nominal de cerca de 10,7%.
A comparação, contudo, é restrita à hospedagem. Não é possível afirmar que a missão de 2026 já custou mais que a de 2025.
Em resposta a um requerimento de informação apresentado à Câmara dos Deputados, o Itamaraty informou posteriormente que a viagem de Lula e da comitiva a Nova York em 2025 custou ao menos R$ 6 milhões, considerando outras despesas da missão. O requerimento havia solicitado ao ministério esclarecimentos sobre hospedagem, transporte e deslocamentos da comitiva.
Neste ano, o próprio Itamaraty informou à Revista Oeste que a execução das despesas ainda não terminou. Portanto, ainda não existe um valor final comparável aos gastos consolidados da viagem de 2025.
Fotógrafo da campanha acompanhou Lula em Nova York

A composição da viagem também passou a integrar a apuração da Revista Oeste por causa da presença do fotógrafo Ricardo Stuckert em compromissos presidenciais nos Estados Unidos.
Stuckert deixou o governo em julho. Portaria publicada no Diário Oficial da União o exonerou, a pedido, do cargo de secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com efeitos a partir de 4 de julho.
Depois da saída, Stuckert passou a atuar na campanha de Lula à reeleição. Segundo informações divulgadas à época pelo PT, ele assumiu funções na área de comunicação da campanha.
Mesmo fora da estrutura do governo, o fotógrafo acompanhou agendas presidenciais em Nova York.
No dia 21 de setembro, Stuckert registrou a audiência de Lula com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, realizada na residência oficial brasileira. A fotografia foi publicada no perfil oficial de Lula e creditada ao fotógrafo.
No dia seguinte, Stuckert também fotografou Lula durante a abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.
A presença de Stuckert em compromissos oficiais depois de deixar o governo já havia ocorrido em agosto. Naquele mês, ele acompanhou Lula em uma viagem oficial ao Amapá.
Na ocasião, a campanha informou que Stuckert havia viajado “a convite, dentro da comitiva presidencial, como fotojornalista” e afirmou que não houve diária nem qualquer outro pagamento ao profissional com recursos públicos.
No caso da viagem a Nova York, a Oeste encaminhou questionamentos à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República para saber em que condição Stuckert acompanhou o presidente.
A reportagem perguntou se o fotógrafo integrou formalmente a comitiva presidencial, a delegação brasileira ou a equipe de apoio; se utilizou aeronave oficial; e quem pagou passagem, hospedagem, alimentação e transporte durante sua permanência nos Estados Unidos.
À Revista Oeste, a Presidência da República afirmou que Stuckert não fez parte da comitiva presidencial, não viajou em aeronave oficial e não teve hospedagem nem qualquer outra despesa custeada pelo governo federal.
A Secom, contudo, não explicou em que condição o fotógrafo da campanha de Lula acompanhou compromissos oficiais do presidente em Nova York nem qual era sua função durante essas agendas. Sobre as demais perguntas relacionadas a Stuckert, o órgão orientou a reportagem a procurar a campanha.
Gastos de Lula na ONU ainda não estão fechados
Também permanecem sem detalhamento informações necessárias para dimensionar os pagamentos já efetuados: quantas pessoas foram hospedadas, quantos quartos foram contratados, quantas diárias foram adquiridas e quem ocupou as acomodações.