A proibição de suplementos alimentares da marca Newfit, na segunda-feira (17), chamou atenção para os riscos da presença de substâncias não informadas nesse tipo de produto: uma análise laboratorial demonstrou que as embalagens continham medicamentos antidepressivos, diuréticos e inibidores de apetite.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a presença dos compostos no Newfit representa um indício de adulteração de um produto que se anuncia como suplemento emagrecedor. A fiscalização determinou o recolhimento de todos os lotes e proibiu sua comercialização, distribuição, exportação, fabricação, propaganda e uso.
O que aconteceu
Uma análise do Laboratório de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou a presença das substâncias sibutramina, fluoxetina e furosemida nos lotes do Newfit.
A fluoxetina é um inibidor de serotonina usado para problemas como ansiedade e depressão, enquanto a furosemida é um medicamento diurético que contribui para o tratamento de edemas e hipertensão. Já a sibutramina é um medicamento que surgiu como antidepressivo, mas hoje é usada no tratamento da obesidade, devido ao seu impacto na saciedade.
presente na embalagem do Newfit, o que torna sua presença irregular e perigosa para os consumidores.
Com promessa de auxiliar no emagrecimento, o Newfit informa que sua composição conteria, na verdade, itens como psyllium, spirulina, chlorella e extrato de cúrcuma, entre outros.
Quais os riscos das substâncias presentes de forma irregular
As três substâncias encontradas no suplemento são que podem ser usados para diferentes fins, desde que tenham a devida orientação médica. O problema não é a substância em si, mas sua
Essa adulteração do suplemento alimentar com remédios pode interferir com outros tratamentos já em andamento e expor a saúde a perigos inesperados, já que a pessoa acaba consumindo um medicamento sem saber.
Um indivíduo que já trata depressão com fluoxetina ou outros medicamentos da mesma classe, por exemplo, pode apresentar flutuações de humor imprevistas que afetam a eficácia do seu tratamento habitual. A dose irregular do remédio também torna impossível saber o que pode estar causando as dificuldades em controlar o transtorno original.
Quem já usa outro remédio para a obesidade pode acabar vivenciando uma ausência de apetite ainda mais intensa com uma dose inesperada da sibutramina, o que pode levar a um déficit calórico pouco saudável e crises de hipoglicemia. Já a presença não informada da furosemida pode causar episódios de desidratação severa, por exemplo.