O plenário do Senado foi mantido fechado nesta quarta-feira (16), impedindo senadores de entrar no espaço e usar a tribuna. O senador Carlos Viana (PSD-MG) atribuiu a decisão ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e criticou a medida.
Viana divulgou um vídeo nas redes sociais em que mostrou as portas do plenário fechadas. Segundo o senador, servidores informaram que a determinação partiu da Presidência do Senado.
“Olha o que está acontecendo no Senado, trancaram todas as portas do plenário, para que os senadores não entrem e possam falar sobre o que está acontecendo e fazer seu trabalho em Brasília. É o presidente dessa Casa quem decide tudo isso. E ele tem explicações a dar, sabe que tem senadores aqui que não concordam com essa omissão, com essa covardia do Senado, então ele mantém as portas fechadas”, acusou Viana.
A restrição ocorreu durante o chamado recesso branco adotado pelo Congresso em razão das eleições. O episódio gerou críticas de parlamentares que permaneceram em Brasília e pretendiam usar a tribuna.
O fechamento também ocorreu um dia após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu os processos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Banco Master. A análise da questão de ordem foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Viana relacionou o episódio às cobranças para que o Senado analise pedidos de impeachment contra ministros do STF. O senador já havia defendido publicamente que a Casa retomasse os trabalhos antes das eleições para discutir as denúncias envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro.
O parlamentar também pediu o afastamento de Alcolumbre da Presidência do Senado após o fechamento do plenário. Em manifestação publicada nas redes sociais, afirmou que “O diálogo acabou no momento em que a porta foi trancada”.
A situação ocorre em contraste com o funcionamento regular da tribuna durante sessões do Senado. Os dados oficiais da Casa registram pronunciamentos de senadores em sessões plenárias e mantêm sistema público de acompanhamento dessas manifestações.
Viana também mantém uma representação contra Alcolumbre no Conselho de Ética. O processo, protocolado em 4 de setembro, pede a abertura de procedimento disciplinar contra o presidente do Senado por suposta quebra de decoro parlamentar. A representação ainda está em tramitação.