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Saúde

Remédio usado contra psoríase também é eficaz para doenças inflamatórias intestinais

Um medicamento já bastante utilizado no tratamento da psoríase e da artrite psoriásica demonstrou, mais uma vez, em estudos clínicos, também ser eficaz e seguro no controle de quadros graves de doenças inflamatórias intestinais (DII).

Comercializado sob o nome Tremfya, o guselcumabe é um anticorpo monoclonal que age bloqueando a interleucina-23 (IL-23), proteína com ação inflamatória que age em todo o corpo.

“Ao inibir a IL-23, o medicamento interrompe a cascata de sinalização inflamatória que propaga problemas inclusive no intestino, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn”, explica Marjorie Argolo, gastroenterologista e professora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

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A retocolite ulcerativa é marcada pela presença de úlceras e inflamação no cólon e no reto, trechos finais do intestino grosso. Já a doença de Crohn pode se manifestar em todo o trato gastrointestinal, da boca ao ânus, mas geralmente afeta os intestinos delgado e grosso, onde provoca lesões e fístulas.

Retocolite ulcerativa

Dados divulgados no início do ano pela Johnson & Johnson, empresa que produz o guselcumabe, sobre um estudo clínico de longo prazo, o QUASAR LTE, revelaram que, após cerca de três anos de tratamento com o medicamento, 80,8% dos pacientes com retocolite ulcerativa moderada a greve tiveram remissão clínica e 53,6% atingiram a remissão endoscópica.

Em outras palavras, oito a cada 10 voluntários não sentiam mais os sintomas da doença (apesar de isso não significar que os tecidos estejam totalmente saudáveis), e pouco mais da metade também estava livre da inflamação nos tecidos, conforme mostraram exames endoscópicos.

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“O principal objetivo é que essa remissão seja atingida de forma livre de corticoides, poupando o paciente dos efeitos colaterais do uso prolongado desses medicamentos”, detalha Argolo, que contribuiu na condução de estudos com guselcumabe na América Latina.

Outra pesquisa, batizada de ASTRO, mostrou que tanto a administração subcutânea quanto a endovenosa do medicamento apresentam a mesma segurança e eficácia aos pacientes.

Entre os efeitos adversos apresentados estão dores de cabeça, tontura e dores nas juntas.

Doença de Crohn

Outro grupo que pode se beneficiar dos tratamento são os pacientes com doença de Crohn perianal fistulizante. “É uma forma da doença para a qual não temos novos tratamentos há mais de duas décadas”, afirma Adam S. Cheifetz, diretor do Centro para Doenças Inflamatórias Intestinais do Beth Israel Deaconess Medical Center e professor da Escola Médica de Harvard, nos EUA.

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O especialista esteve no Brasil para participar da 7ª Semana Brasileira de Doença Inflamatória Intestinal e compartilhar novos dados sobre o tratamento experimental com guselcumabe.

“Pacientes com esse quadro passam por um processo inflamatório que atinge todas as camadas da parede intestinal e geram ‘túneis’ entre o intestino e a pele ao redor do ânus — chamados fístulas”, explica o médico cirurgião. “Elas causam dor excruciante, abscessos frequentes e também provocam incontinência fecal. É uma doença que mina a qualidade de vida dos pacientes.”

Na terceira fase do estudo clínico FUZION, quase três a cada 10 voluntários com a doença tiveram suas fístulas completamente fechadas e sem surgimento de novas lesões após 24 semanas de tratamento com guselcumabe. O medicamento também se mostrou seguro, com eventos adversos leves e raros.

No Brasil, o guselcumabe já está aprovado para o tratamento de DIIs. É um medicamento de alto custo, encontrado nas farmácias por a partir de R$ 19 mil.

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