Evitar correntes de ar, fechar portas e janelas ao primeiro sinal de frio e reforçar o uso de casacos são atitudes comuns, como se a baixa temperatura, por si só, fosse a causa das doenças respiratórias. Com a chegada do outono e do inverno, essas ideias voltam a circular e seguem influenciando decisões do dia a dia.
Porém, essas explicações não dão conta do que realmente acontece.¹³ Por trás de quadros como gripe, Covid-19, pneumonia, vírus sincicial respiratório (VSR) e outras infecções estão vírus, bactérias e outros microrganismos, e a forma como eles se espalham nem sempre corresponde ao senso comum. ¹–⁵, ¹²
Separar o que faz sentido do que não passa de mito é o primeiro passo para entender melhor como essas doenças se comportam e como se proteger, uma questão fundamental principalmente para os grupos considerados vulneráveis, como pessoas acima de 60 anos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e com imunodeficiência. ¹,³,⁴,⁶,¹²
“Os vírus respiratórios só aparecem no inverno”
Mito. Nos meses mais frios, típicos do outono e inverno, não há o surgimento desses vírus, mas a intensificação de condições que favorecem o contágio, com maior permanência em ambientes fechados, menor ventilação e mais proximidade entre as pessoas.¹³
“Claro, alguns vírus têm mais sazonalidade e aparecem mais nessa estação, como o vírus sincicial respiratório (VSR), que também pode ser um dos causadores de pneumonia. Por isso, nesse período, é preciso redobrar a atenção com as medidas preventivas”, explica o infectologista Dr. Alvaro Costa, médico e pesquisador do Hospital das Clínicas de São Paulo. ⁴, ¹³
“Sintomas comuns não garantem quadros leves”
Verdade. Febre, tosse, coriza e dor de garganta costumam marcar o início de diversas infecções respiratórias que, muitas vezes, são confundidas com sintomas de gripe, uma doença respiratória muito conhecida pela população. ¹,⁴,⁵,¹²
Esses sinais, porém, não permitem prever a evolução do quadro. Dependendo do agente envolvido e das condições de saúde da pessoa, a infecção pode avançar e levar a quadros que necessitem de internação.¹,²,⁴,⁵,¹²
“Mesmo quando o início parece leve, esses quadros podem evoluir, principalmente em pessoas mais vulneráveis”, afirma o especialista. ¹,²,⁴,⁵,¹²
No caso da COVID-19, por exemplo, a progressão pode incluir complicações como pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo, sepse, trombose e piora de doenças crônicas.¹
“O envelhecimento aumenta a vulnerabilidade”
Verdade. Embora qualquer pessoa possa desenvolver uma infecção respiratória, o risco de complicações não é igual.¹–⁵
Entre os fatores que interferem nessa resposta está a idade. Isso porque ao longo dos anos, o organismo passa por mudanças que afetam diretamente a resposta à ação de vírus e bactérias. ⁶, ⁸
“Com o envelhecimento, o sistema imunológico já não tem a mesma performance de alguém de 20 ou 30 anos, o que facilita processos infecciosos. Além disso, alterações em órgãos como o pulmão, assim como na anatomia e na proteção local das mucosas, tornam essa população mais vulnerável e aumentam o risco de infecção”, explica o médico. ⁶,⁷,⁸
Esse conjunto de fatores aumenta a chance de evolução para quadros mais graves, como pneumonia e agravamento de doenças crônicas. ⁶, ⁸
“Apenas os idosos fazem parte do grupo de risco”
Mito. Os bebês e crianças pequenas, pessoas com mais de 60 anos, gestantes, pessoas imunocomprometidas e aquelas com comorbidades (doenças preexistentes, como diabetes, por exemplo), pacientes oncológicos em tratamento e pessoas que vivem em instituições de longa permanência são grupos com maior risco de evoluir com gravidade, com internação. ¹,⁴,⁶,⁸,¹² “Por isso, crianças e idosos são considerados grupos prioritários nas campanhas de imunização. Nesses públicos, a vacinação ajuda a reduzir o risco de formas graves, hospitalizações e óbitos associados a diversas doenças respiratórias imunopreveníveis”, destaca o médico. ¹⁴
“Alguns sinais não devem ser ignorados”
Verdade. Nem toda tosse ou coriza indica gravidade, mas alguns sintomas funcionam como alerta. ¹,⁴,¹²
Falta de ar, dificuldade para respirar, febre alta e piora de doenças de base devem motivar a busca por atendimento médico. “Qualquer desconforto para respirar, como falta de ar e febre alta devem motivar a ida imediata desses pacientes aos serviços de emergência, porque, em alguns casos, o atraso no início do tratamento pode ser decisivo para a gravidade do quadro”, afirma Costa. Mesmo sintomas considerados leves merecem atenção, especialmente em pessoas mais velhas. “Em caso de sintomas iniciais como coriza ou febre baixa, especialmente em maiores de 60 anos, procure um profissional para avaliação de gravidade, com exames como raio-X ou de sangue, avaliação clínica adequada e, quando necessário, tratamento específico conforme orientação médica”, acrescenta.¹,³,⁴,⁶,⁷,¹²
“A principal prevenção é evitar o frio”
Mito. A prevenção não se limita a períodos de temperaturas mais baixas. No dia a dia, medidas simples ajudam a reduzir o risco de transmissão.⁹
Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, manter os ambientes ventilados, usar máscara e evitar contato com pessoas com sintomas são atitudes que fazem diferença. Recomenda-se, ainda, atenção à limpeza de superfícies e objetos de uso frequente.⁹
A vacinação, quando indicada por um profissional de saúde, é uma das estratégias utilizadas para reduzir o risco de casos graves e hospitalizações.⁹,¹⁴ No Brasil, o Calendário Nacional de Vacinação orienta a imunização de diferentes grupos ao longo da vida.¹⁴,¹⁵
“Há vacinação disponível para diferentes doenças respiratórias, e manter esse cuidado em dia faz parte da proteção individual e coletiva”, destaca o especialista.¹⁴,¹⁵
A vacinação de diferentes grupos contribui para reduzir a circulação de agentes infecciosos e proteger aqueles que não podem ser vacinados.¹⁴
“A pneumonia sempre tem origem bacteriana”
Mito. A pneumonia pode ser causada por diferentes agentes infecciosos, incluindo não só bactérias, mas também vírus e, com menor frequência, fungos.³,¹¹ Entre os vírus capazes de provocar pneumonia estão o vírus da influenza, o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, e o vírus sincicial respiratório (VSR).³,¹¹ Como o tratamento varia de acordo com o agente causador, a avaliação médica é importante para identificar a origem da infecção e definir a conduta mais adequada.³,¹¹
PP-UNP-BRA-7060
Referências
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- LIM, W. S. Pneumonia—Overview. Encyclopedia of Respiratory Medicine. 2. ed. Elsevier, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7241411/ . Acesso em: 22 de julho de 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Vírus sincicial respiratório (VSR). Disponível em: https://familia.sbim.org.br/doencas/virus-sincicial-respiratorio-vsr. Acesso em: 27 de abril 2026.
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- THEODORAKIS, Nikolaos et al. Immunosenescence: How Aging Increases Susceptibility to Bacterial Infections and Virulence Factors. Microorganisms, v. 12, n. 10, p. 2052, 11 out. 2024. DOI: 10.3390/microorganisms12102052. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11510421/. Acesso em: 6 ago. 2026.
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- SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA (SBI). Inverno aumenta risco de doenças respiratórias. Sociedade Brasileira de Infectologia, 7 jun. 2022. Disponível em: https://infectologia.org.br/destaque/inverno-aumenta-risco-de-doencas-respiratorias/. Acesso em: 7 ago. 2026
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