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Presidente do PT, Edinho Silva diz que Trump é ‘fascista’

Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza uma possível aproximação com o líder norte-americano Donald Trump, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, mantém firme a sua posição crítica em relação ao político dos Estados Unidos.

Edinho reafirmou a classificação de Trump como “fascista” e destacou que não pretende voltar atrás nessa avaliação. Sociólogo e ex-prefeito de Araraquara, o petista ressaltou que a conjuntura atual recorda elementos do período anterior à Segunda Guerra Mundial.

“A gente esquece o que foi a era pré-Segunda Guerra na Europa”, disse, ao jornal Folha de S.Paulo. “E a forma como se foi normalizando aquilo que não era normal.”

Debate internacional e suposta crise do capitalismo

lula e edinho silva - pt - araraquara
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Edinho Silva, líder do PT | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na próxima semana, Edinho viaja à Alemanha para reuniões com parlamentares do SPD, partido social-democrata que compõe a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Friedrich Merz. Ele pretende debater “o fortalecimento da direita global e a prolongada crise do capitalismo”, iniciada em 2008, que, segundo ele, trouxe consigo uma “pauta de extrema direita marcada por xenofobia e violência”.

O dirigente petista observa que a crise de 2008 aprofundou a desigualdade e estimulou a descrença nas democracias liberais, com impacto principalmente nos setores médios. “O empobrecimento dos setores médios gera descrença, e a primeira vítima disso é a democracia liberal”, disse. Para ele, a democratização da renda é o grande desafio do momento, inclusive no Brasil.

Na avaliação de Edinho, programas de transferência de renda implementados desde o início do governo Lula contribuíram, mas não foram suficientes para enfrentar a elevada concentração de riqueza. Ele defende um debate global sobre o tema e afirma que medidas paliativas não resolvem o problema de fundo.

Edinho também relaciona a crise de 2008 ao renascimento de agendas conservadoras. Para ele, questões como xenofobia, racismo e misoginia ressurgiram com força, acompanhadas pelo avanço da financeirização da economia e aumento da concentração de renda.

Críticas a Trump e histórico de Edinho Silva

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Trump em discurso à cúpula militar, em Quantico, no Estado norte-americano da Virgínia | Foto: Reprodução/X

Sobre Trump, Edinho reafirmou sua definição. “Não recuo um milímetro da minha caracterização do Trump”, declarou. Ele citou atitudes do presidente dos EUA, como discursos de expansionismo territorial e posturas autoritárias, e destaca ações consideradas racistas e anti-imigrantes. “O que ele tem feito com famílias imigrantes da Costa Rica só o nazismo fez semelhante, separar famílias, pais de filhos”, afirmou.

O presidente do PT também criticou o uso de tarifas comerciais por Trump como instrumento de coerção internacional. Segundo ele, tais políticas têm potencial para gerar uma guerra econômica de grandes proporções e afetar setores globais. Edinho ainda citou a autorização de Trump para que Elon Musk estabelecesse alianças com figuras da direita europeia, como a italiana Giorgia Meloni.

Indagado sobre comparações entre Trump e Vladimir Putin, Edinho diferencia os dois. Ele ressaltou que não identifica, no comportamento de Putin, perseguição a imigrantes ou minorias, embora reconheça os conflitos na Ucrânia. Para o petista, é preciso buscar saídas negociadas para tais impasses.

Aos 60 anos, Edinho Silva está à frente do PT desde agosto. Formado em sociologia pela Unesp e mestre em engenharia de produção pela UFSCar, foi prefeito de Araraquara (SP) por quatro mandatos, além de vereador, deputado estadual, ministro da Secretaria de Comunicação Social de Dilma Rousseff e coordenador da campanha presidencial de Lula em 2022. Atua no partido desde 1985.

Via Revista Oeste

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