O Japão inaugurou nesta sexta-feira (31) seu Departamento Nacional de Inteligência, a primeira agência centralizada desse tipo desde a Segunda Guerra Mundial, para reforçar as capacidades do arquipélago no combate à espionagem diante do que considera ameaças crescentes de ditaduras como China, Rússia e Coreia do Norte.
“Este é o primeiro passo na reforma da inteligência estatal para fortalecer o comando e permitir uma tomada de decisão governamental rápida e bem fundamentada”, enfatizou o porta-voz-chefe do governo, Minoru Kihara, em uma coletiva de imprensa, em um contexto internacional que ele descreveu como “complexo”.
A criação da agência de inteligência segue a aprovação, em maio passado, de uma lei nesse sentido, que também incluiu a formação de um Conselho de Segurança Nacional liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, juntamente com outros membros do Gabinete.
Ambos os órgãos foram oficialmente estabelecidos nesta sexta-feira, e o grupo deve se reunir esta tarde para discutir as estratégias iniciais, segundo a agência de notícias local Kyodo.
“Este é o primeiro passo na reforma da inteligência estatal para fortalecer o comando e permitir uma tomada de decisão mais rápida e bem informada por parte do governo”, enfatizou o porta-voz do governo.
Entre suas funções, o escritório servirá como secretaria do Conselho e coordenará informações da Agência Nacional de Polícia, bem como dos Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa, entre outros, com autoridade para exigir que compartilhem informações. Ao todo, a repartição terá 730 funcionários.
Ambas as agências recém-criadas cumprem uma das promessas de campanha da premiê japonesa, que assumiu o cargo em outubro passado.
O Japão se tornou um “ninho de espiões”, alertou o jornal americano The New York Times em meados de julho, ao relatar uma suposta operação russa na capital japonesa para obter informações e tecnologia para seu armamento na guerra com a Ucrânia.
Este é o mais recente de uma série de relatórios que destacaram as vulnerabilidades de segurança do Japão, incluindo a suposta exportação ilegal de servidores equipados com chips da Nvidia de Taiwan para a China via Japão, bem como casos de espionagem industrial dentro do arquipélago.