Mesmo após um ano da operação militar Lança do Sul, iniciada pelo governo de Donald Trump no Caribe e no Pacífico, o narcotráfico demonstra forte poder de adaptação. Relatórios da DEA indicam que, apesar dos 60 ataques e mais de 200 mortes de suspeitos, os cartéis diversificaram rotas e métodos de transporte para manter o fluxo de drogas estável rumo aos Estados Unidos.
Quais são as novas táticas usadas pelos traficantes para burlar a fiscalização?
Os criminosos deixaram de usar apenas lanchas rápidas e passaram a esconder grandes carregamentos em navios cargueiros em portos comerciais. Além disso, as embarcações agora navegam mais próximas à costa para evitar ataques em águas internacionais. O uso de aviões que decolam de pistas clandestinas na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela também se tornou mais frequente.
A oferta de cocaína nos Estados Unidos diminuiu com as operações militares?
Dados sugerem que não. A pureza da cocaína apreendida continua alta, o que indica que não há escassez do produto. Além disso, os preços nas ruas americanas permanecem estáveis, entre 60 e 100 dólares por grama, e as apreensões em fronteiras terrestres e aeroportos chegaram a subir 2%, sinalizando que a droga continua chegando por vias alternativas.
Como a corrupção local ajuda os cartéis a evitarem a Marinha americana?
Traficantes estão pagando propinas a autoridades em países estratégicos, como a Colômbia, para obter a localização exata dos navios de guerra dos Estados Unidos. Com essa informação privilegiada, os cartéis conseguem lançar suas embarcações ao mar justamente nos momentos em que as forças americanas deixam as áreas de patrulhamento.
Qual é a tendência para a estratégia de segurança na América Latina?
Especialistas apontam que a estratégia puramente naval deve ser expandida. Com a posse de governos de direita e foco em segurança no Peru e na Colômbia, espera-se uma cooperação maior para desmantelar redes terrestres e aéreas. Isso inclui operações conjuntas para destruir laboratórios e pistas de pouso clandestinas diretamente nos países de origem.
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